4 de fev. de 2011

Capítulo 2 - Nikki

Capítulo 2

Nikki

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Lembranças de como um bom amor floresceu em um noivado, agradecendo sem medida para um uso de um trovador do antigo truque de dar drogas ao Nikki

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O dia depois que eu voltei pra casa do casamento do Tommy, tinha uma correspondência do nosso contador, Chuck Sapiro, esperando por mim na caixa de correio. “Você tem gastado cinco mil dólares por dia,” ele escreveu. “Cinco mil dólares vezes sete é trinta e cindo mil dólares por semana. Por mês, são cento e quarenta mil dólares. Em exatos onze meses, você estará completamente quebrado, se não tiver morto.”

Antes do casamento do Tommy, eu tinha combinado de manter meu hábito um segredo porque eu dificilmente via o pessoal da banda. A gangue agora tinha se dividido em diferentes casas em diferentes partes da cidade. Nós ainda estávamos fazendo a mesma coisa que nós fazíamos quando morávamos no apartamento juntos: acordar, se drogar, ir dormir e então começar tudo de novo. Mas a diferença era que nós não estávamos fazendo isso juntos. Tommy estava na Heatherlândia, morando em uma casa multimilionária em um bairro privado com seguranças. Ele estava muito animado que um dos seus vizinhos era um investidor que fazia quarenta e cinco milhões de dólares por ano e outro era um advogado que lidava com os principais casos de homicídio. Mas tudo o que eu conseguia pensar era, “Essas pessoas costumam ser nossas inimigas.”

Vince estava ou na cadeira ou saindo da sua casa com donos de boates de strip ou esportistas e homens de negócios sujos. E Mick, ele é muito secretório, ele poderia estar vendendo armas com o Irã ou fazendo pistas de descolagem por tudo que eu sei.

A força de uma banda está na solidariedade dos seus membros. Quando eles se dividem em mundos diferentes, é quando normalmente os problemas e brechas começam e levam a uma separação. O que era legal sobre nós inicialmente era que Vince e Tommy eram garotos de Covina, eu era de Idaho, e Mick de Indiana; nós éramos perdedores sem função que de alguma forma tornaram rock stars. Nós fizemos nossos sonhos tornarem realidade. Mas nós fomos pegos pelo sucesso de tal forma que esquecemos quem nós éramos. Vince estava tentando Hugh Hefner, Tommy pensava que ele era a Princesa Diana com seu casamento de classe alta e novos amigos, e eu pensava que eu era algum tipo de drogado glamoroso boêmio como William Burroughs ou Jim Carroll.

Eu acho que Mick sempre quis ser Robert Johnson ou Jimi Hendrix, apesar de que ele estava bebendo tanto que estava começando a parecer mais com o Meat Loaf.

A realidade caiu sobre mim no casamento do Tommy. Eu estava tentando chutar, sem sucesso, e eu estava fazendo um cu de mim mesmo porque eu não tinha habilidades sociais e não curtia dançar com milionários. Durante a recepção, eu disse para o nosso empresário, Rich Fisher, que eu estava usando um pouco de heroína, como se isso não fosse óbvio. E ele disse pra todo mundo no escritório da gerência. Quando eu não respondi a carta de aviso do Chuck, minha companhia de gerência e um conselheiro chamado Bob Timmons (que tinha ajudado o Vince a ficar sóbrio) apareceram na minha casa e começou uma intervenção. Primeiramente, eu estava chapado. Mas depois de falarem por horas, eles me deixaram pra baixo. Nicole e eu aceitamos a entrar na reabilitação. O lugar era de fato a mesma clinica na Van Nuys Boulevard que o Vince esteve.

Como Vince, eu não estava pronto pra reabilitação. Mas diferente de Vince, eu não tinha perigo da prisão me manter lá. Durante meu terceiro dia, uma gorda, verruguenta ficava tentando me convencer que para ficar limpo eu tinha que acreditar em um poder maior. “Foda-se você e foda-se Deus!” eu por fim gritei para ela. Eu sai do quarto, e ela me seguiu. Eu me virei, cuspi na cara dela, e a mandei se foder de novo. Dessa vez ela foi. Eu fui pro meu quarto, peguei minha guitarra, pulei a janela, e comecei a andar pra Van Nuys Boulevard com a minha roupa de hospital. Eu morava cinco milhas dali: eu achava que eu conseguiria.

O hospital ligou para Bob Timmons e disse pra ele que eu tinha escapado. Ele entrou no seu carro e me pegou na Van Nuys Boulevard.

“Nikki, entre no carro,” ele disse enquanto ele parou ao meu lado.

“Vai se foder!”

“Nikki, está tudo bem. Apenas entre no carro. Nós não estamos bravos com você.”

“Vai se foder! Eu não vou voltar para aquele lugar!”

“Eu não te levarei de volta. Eu prometo.”

“Sabe de uma coisa? Vai se foder! Eu nunca voltarei lá. Essas pessoas são insanas! Eles estão tentando fazer uma lavam cerebral em mim usando Deus e toda essa merda!”

“Nikki, eu estou do seu lado. Eu te levarei pra sua casa, e nós acharemos um jeito melhor de você ficar limpo.”

Eu cedi e aceitei a carona. Nós voltamos para minha casa e jogamos fora todas as agulhas, colheres, e resíduos de droga. Eu implorei para ele me ajudar a ficar limpo sozinho, sem Deus. Daí eu liguei para os meus avós por apoio, porque qualquer sanidade que eu tinha como adulto era graças a eles. Mas minha avó estava doente demais para receber a ligação. Nessa noite, eu escrevi “Dancing on Glass,” lembrando da minha overdose com a linha “Valentine’s in London/Found me in trash.”

Nicole ficou na reabilitação por mais duas semanas. Quando ela retornou para casa como uma paciente depois de tudo, algo estava diferente. Nós estávamos sóbrios. E estando sóbrios, nós descobrimos que nós não gostávamos um do outro tanto assim. Sem a heroína, nós não tínhamos nada em comum. Nós terminamos imediatamente.

Para ficar limpo, eu contratei um assistente chamado Jesse James, que era uma versão de seis pés e cinco polegadas do Keith Richards e que sempre usava um chapéu SS cobrindo o que eu acreditava ser uma peruca. Mas ao longo do tempo, seu trabalho se transformou de babá para companheiro de crime. Ele vinha e trazia drogas pra mim, e como uma recompensa, ele as usava comigo. Nós bebíamos e cheirávamos coca na maioria das vezes. Mas de vez em quando eu injetava um pouco de heroína, pelos velhos tempos.

Como a Nicole tinha ido embora, eu comecei a trocar de garotas como de meias. Jesse e eu ficávamos sentados e assistíamos TV o dia todo, eu tentava escrever algumas músicas para o próximo álbum, e quando isso falhava, nós ligávamos para qualquer garota de Hollywood que nós queríamos transar naquela noite. Mas quando nós tínhamos transado com todas as strippers e atrizes pornô que nós queríamos, nós rapidamente ficamos entediados. Nós andávamos pela vizinhança e jogávamos tijolos nas janelas, mas a diversão acabou rapidamente. Eu decidi que eu precisava de uma namorada. Então nós começamos a pegar as garotas da televisão que nós queríamos sair, imaginando todos os tipos de enredos de encontros engraçados. Tinha uma loira fofinha que era loucura local que nós assistíamos, e eu liguei para ela na estação durante um comercial e falei besteiras com ela. Daí eu a assisti quando ela voltou para o ar para ver se ela parecia agitada ou atrapalhada ou preocupada. Apesar dela nunca aparecer, por alguma razão ela sempre atendia nossas ligações.

Um dia, o vídeo para Vanuty 6’s “Nasty Girl” foi ao ar, em que as três garotas na banda se esfregavam sugestivamente como elas cantavam. Como a protegida de Prince, a líder da banda, Vanity, parecia ter vindo de um mundo muito diferente do meu. “Deve ser legal transar com ela,” eu disse pro Jesse.

“Vá atrás disso, cowboy,” ele disse pra mim.

Eu liguei para a nossa companhia de gerência e disse pra eles que eu queria conhecer Vanity.

Eles ligaram para os seus empresários, e dentro de uma semana eu estava no caminho para o apartamento dela em Beverly Hills para o nosso primeiro encontro. No segundo que ela abriu a porta, ela me fixou com uma louca encarada. Seus olhos pareciam que iam saltar do seu crânio, e eu soube antes dela falar uma palavra que ela estava completamente psicótica. Mas por outro lado, lá estava eu. Ela me convidou para entrar no seu apartamento, que era apenas alguns cômodos misturado com lixo e roupas e artesanatos. Sua casa era cheia de estranhos murais com recortes de revistas, caixas de ovos, e folhas mortas colados a eles. Ela chamada essas coisas de artesanato, e cada um tinha uma história.

“Esse aqui eu chamo de The Reedemer,” ela disse, apontando para uma colagem confusa. “Isso descreve a profecia de um anjo descendo na cidade, porque ele vai vir resgatar as almas presas nas lâmpadas dos postes de rua e os porquinhos irão andar pela rua e as crianças irão rir.”

Nessa noite, nós nunca deixamos o apartamento. Depois de todas as garotas que eu tinha corrompido, era a hora de alguma me corromper. O artesanato, ela finalmente admitiu, era algo que ela fez depois de passar dias freebasing cocaína.

Freebasing?” eu perguntei. “Eu nunca fiz isso do jeito certo antes.”

E então eu me senti dentro da teia de aranha. Preso no feebase, eu perdi o pouco que ficou de autocontrole que eu tinha vindo praticado desde a reabilitação e me tornei um completo paranóico sem função. Uma tarde, tinha algumas pessoas na minha sala, e Vanity e eu estávamos presos no quarto. Nós ligamos o som, que estava ligado a alto-falantes pela casa, e ouvimos música enquanto nós fazíamos um freebase. Enquanto nós estávamos fumando, a música parou e um programa de rádio começou. Eu peguei minha .357 Magnum e dei outra tragada. Enquanto eu guardava o freebase nos meus pulmões, eu gritei para o rádio, “Seus filhos da puta, eu irei atirar em vocês. Dêem o fora daqui.” Eu acho que eu de alguma forma pensei que as vozes que saiam do rádio eram das pessoas que estavam na minha sala, que estava do outro lado da porta. As vozes não pararam quando eu gritei para elas, claro, então enquanto eu expirava uma doce baforada de fumaça branca no ar, eu descarreguei minha .375 através da porta.

18 de jan. de 2011

PARTE SEIS - GIRLS GIRLS GIRLS - Capítulo 1 - Tommy

fig. 1
Festa de lançamento do álbum Girls, Girls, Girls no Body Shop.

PARTE SEIS

>>GIRLS, GIRLS, GIRLS<<

Capítulo 1

Tommy

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Lembranças de como um bom amor floresceu em um noivado, agradecendo sem medida para o uso de um ato do antigo truque de fazer seu pretendente esperar, e esperar, e esperar

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“Oi,” eu disse.

“Oi,” ela respondeu.

“Prazer em conhecê-la.”

“Bom, tchau.”

“Tchau.”

Foi isso, cara. Foi tudo o que nós dissemos. Foi breve, foi embaraçoso, e isso mudou minha vida pra caralho. O lugar era o Forum Club, o evento era um show do REO Speedwagon, a garota era Heather Locklear, e o cara que nos apresentou foi meu contador, Chuck Shapiro.

Chuck, que tinha me levado ao show porque ele também era contador do REO Speedwagon, conheceu Heather porque seu irmão era seu dentista. É desse jeito que as coisas funcionam, por alinhamentos de milhões de acasos. Alguns chamam isso de sorte, mas eu acredito em destino. Eu tenho que acreditar. Eu cometi vários erros com essa garota, e ela continuou saindo comigo.

Eu pensei nela de novo uma semana depois quando eu estava navegando pela TV e vi um episódio de Dynasty com a Heather nele. Eu instantaneamente liguei para o Chuck e implorei pra ele seu número. Ele ligou para o seu irmão dentista e me retornou como um bom amigo.

Na outra tarde, eu respirei fundo, coloquei meus pés em cima do sofá, e liguei pra ela. A conversa foi embaraçosa como a nossa primeira. Minha TV estava no mudo, mas enquanto nós estávamos tendo aquela pequena e inconfortável conversa, eu vi seu rosto aparecer na tela no The Fall Guy. Eu aceitei isso como um sinal que nós pretendíamos ser.

“Ei, liguei a sua TV,” Eu disse a ela. “Você está no canal quatro.”

Ela ligou sua TV. “Hum,” ela me informou, “essa é Heather Thomas.”

Eu quis desligar na hora, pegar uma arma, e atirar na porra da minha cabeça. Deus deixa tudo perfeito para mim, e eu sempre arrumo um jeito de foder tudo.

Ela teve piedade de mim e sugeriu que nos encontrássemos de qualquer forma numa sexta-feira a noite. Eu nunca havia saído com alguém como a Heather antes. Ela não era o tipo de garota que eu poderia levar para a minha van como a Bullwinkle, ou fazer sexo grupal em uma Jacuzzi como a Honey. Ela era uma mulher de verdade, uma boa garota, e mais famosa do que eu – três coisas que eu nunca tinha experimentado em um encontro antes.

Eu estava nervoso pra caralho antes. Eu me arrumei na frente do espelho por horas, espremendo espinhas, penteando meu cabelo, excitado com o meu colarinho, passando colônia estrategicamente pelo meu corpo, e tendo certeza que todas as minhas tatuagens estavam cobertas. Eu cheguei cedo à casa que ela vivia com a irmã e fiquei perdendo tempo lá fora até dar sete horas em ponto. Eu me senti como um macaco treinado do caralho com a minha camisa formal e calças pretas. Eu apertei a campainha, fiquei nervoso, e uma garota que parecia com a Heather abriu a porta. Eu não sabia o que dizer porque eu não tinha certeza se era a Heather ou a irmã dela. Eu acenei timidamente, e entrei, e esperei ela dar algum um tipo de sinal que divulgasse sua identidade. Daí, no topo da escada, eu vi um vestido branco. Agora, aquela era Heather. Ela desceu lentamente, sem uma palavra, como em Gone With the Wind.

Ela olhou de um jeito tão sexy que eu queria correr até ela, atacá-la, e tirar as roupas dela. “Você está linda,” eu disse pra ela enquanto eu gentilmente pegava em seu braço. Sua irmã me observou cuidadosamente, e eu pude senti-la me medindo, determinando se eu era certo para Heather ou era apenas um palhaço.

Nós saímos para comer comida italiana, daí assistimos alguma comédia de merda porque eu pensei que isso era alguma coisa normal que as pessoas fazem em encontros. Nessa noite, nós conversamos sobre tudo. Ela tinha saído com vários caras ricos e irritantes e atores ruins como Scott Baio. Mas ela nunca tinha estado com um roqueiro. Eu posso dizer que isso era um ponto a meu favor depois ela pedir para ver minhas tatuagens. Ela era uma boa garota que fantasiava sobre um garoto mal, e eu sabia que mesmo com o meu colarinho engomado e minha colônia Drakkar Noir não podia disfarçar o fato que eu era um garoto mal.

Nós voltamos para sua casa e bebemos champanhe, mas eu estava muito assustado para fazer um movimento. Eu não queria que ela pensasse depois que eu era apenas um garoto de uma noite ou que estava tentando transar com uma atriz famosa. Pela hora que eu fui embora aquela noite, nós fizemos milhões de planos juntos.

Nós lentamente começamos a sair mais – sair pra jantar, ver filme, ir a festas. No fim das contas eu comecei a passar a noite na casa dela. Mas ela não colocava pra fora, cara. Eu a deixava bêbada e tentava transar com ela de todas as maneiras que eu pude por semanas, mas ela não percorria o caminho todo. Essa é outra coisa que eu nunca tinha experimentado antes, e por causa disso, nós realmente ficamos íntimos e nos tornamos amigos. Ela tinha uma personalidade animada, um ótimo senso de humor, e amava brincadeiras do mesmo tanto que eu. Ela aparecia com flores para mim e eu aprendi a amar isso. Qualquer cara, que disser que ele não gosta de flores é inseguro da sua masculinidade.

Depois de um mês e meio, eu estava tão louco que eu não consegui mais agüentar. Nós finalmente transamos, e ela me fez esperar tanto que eu apreciei cada segundo, porque acreditei em mim, isso apenas permaneceu por segundos. Mas nós fizemos isso de novo e de novo nessa noite até nós termos certeza que estávamos apaixonados, porque quando você está com alguém que você não ama, uma vez é normalmente o suficiente.

Na outra manha, eu estava indo pra sua piscina de cueca quando seu pai parou na casa. Heather se assustou: ela pode ter sido famosa por ter feito uma puta sexualmente agressiva e dominadora na televisão, mas na vida real ela era hipócrita como eles vieram. Ela estava muito preocupada que seu pai, que era o reitor da UCLA Escola de Engenharia, reprovaria se ele visse todas minhas tatuagens. Eu me cobri com toalhas. Mas mesmo tendo uma parte pra fora, seu pai pareceu não se preocupar.

Depois de nós transarmos, a relação foi para outro nível por completo. Um dia, nós estávamos assistindo corrida de dirt-bike na TV que eu disse a ela que eu adoraria experimentar aquilo. No outro dia, tinha uma dirt bike do lado de fora da minha casa. Ninguém – homem ou mulher – tinha feito algo tão generoso para mim antes. Nós estávamos lentamente percebendo que nós queríamos ficar juntos por um longo, longo tempo, talvez até para sempre.

Quando eu a deixei para a turnê do Theatre of Pain, tocando “Home Sweet Home” toda noite, eu sentia alarmes tocando na minha cabeça. Aquilo era o que eu queria a minha vida inteira. Eu queria construir um lar, como meus pais. Eu sempre fui o magrelo alto, andando por L.A. procurando por uma imagem de um pai ou uma mãe. Talvez isso veio do medo que meu analista de sonhos disse que eu peguei da minha mãe: eu tinha medo de ficar sozinho, de não ter comunicação. Conforme a turnê do Theatre ia, mais eu sabia o que eu queria fazer.

Quando eu estava em casa de folga durante o Natal, Heather e eu estávamos dirigindo na Ventura em uma limusine. Eu parei e coloquei a minha cabeça pra fora do teto solar.

“Ei,” eu gritei para a Heather. “Venha aqui e veja isso.”

“O que?”

“Venha aqui!”

“Eu tenho que fazer isso?”

Lentamente, relutantemente, ela se levantou. Conforme a sua cabeça passava pela abertura, e seu corpo pressionado contra o meu, eu perguntei pra ela: “Você quer se casar comigo?”

“O que?” ela disse. “Aqui é alto demais. Eu não consigo te ouvir.”

“VOCÊ QUER SE CASAR COMIGO?”

“Sério?” ela olhou para mim ceticamente.

Eu alcancei meu bolso e puxei um anel de diamante. “Sério.”

“O que?”

“SÉRIO!”

Quando a turnê acabou, nós casamos em um pátio em Santa Barbara. Eu vesti um terno de couro branco e ela vestiu um vestido tomara que caia banco com luvas brancas que começavam no meio do seu braço, deixando seus ombros bronzeados e magros, delicado pescoço descobertos. Era o maior casamento que eu já tinha visto: quinhentos convidados, pára-quedistas caindo carregando grandes garrafas de champanhe, e pombos brancos que voavam no ar após nós dizermos nosso juramento. Rudy, um dos nossos técnicos, nos deu o melhor brinde: “Para Tommy e Heather,” ele disse, erguendo um copo de champanhe. “Talvez todas suas brigas estejam enterradas.” Daí ele pegou o copo de champanhe e esmagou na sua cabeça. Eu dei uma olhada nas mesas que a família de Heather estava sentada, e todos eles olharam como se eles tivessem tido outros pensamentos sobre o casamento.

Foi um dos melhores dias da minha vida. Todos os meus amigos estavam lá, incluindo metade da Sunset Strip. Parecia que todo mundo estava em grandes bandas agora: Ratt, Quiet Riot, Autograph, Night Ranger. O único problema nessa tarde foi Nikki. Eu pedi pra ele ser meu padrinho, e ele fez uma bagunça. Ele estava magro; ele suava constantemente; e sua pele estava completamente amarela, cara. Ele sempre pedia perdão para ir ao banheiro, e daí ele retornava e começava a cochilar no meio da cerimônia. Como um padrinho, ela estava tão drogado de heroína que ele estava sendo inútil. Eu não acreditava que ele estava injetando no meu próprio casamento.


fig 2.
Tommy e Heather Locklear

3 de jan. de 2011

Capítulo 10 - Tommy

Capítulo 10

Tommy

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Uma lembrança de tola curiosidade concluída com apreciação dos espíritos mutantes e humor dos nossos heróis enquanto eles continuavam sua nobre busca.

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Nikki, nosso segurança Fred Saundersm, e eu, ficamos por dois dias direto bebendo, cheirando, e comendo cogumelos. Nós estávamos em algum lugar do Texas. A janela estava aberta e o vendo estava fazendo uma sombra agitada pelo lugar. Daí, de repente, veio um som. Chugachugchugchug chugachugchugchug. Um trem estava passando, cara. E Nikki olhou pra mim. Eu olhei pro Nikki. E nós não precisamos falar nada: nós estávamos numa estranha drogada estação e nossas mentes estavam em total sincronização.

“Vamos embora,” nós dissemos um pro outro – não alto, mas telepaticamente.

Fred leu nossas mentes, e gritou, “Não, não, não!” Mas nós o deixamos na porra da poeira. Nós corremos pelo corredor e entramos no elevador, fazendo o nosso melhor pra deixar Fred em choque porque ele nunca deveria deixar isso acontecer. Nós corremos pelo saguão e enquanto isso, aparando o gramado da frente do hotel. Nós continuamos correndo, o mais rápido que podíamos, até nossos pulmões se sentirem como se eles fossem desmoronar. Fred estava duas centenas de jardas atrás de nós, gritando “Não, seus filhos da puta! Não!”

Mas nós continuamos correndo até nós vermos o trem, se movendo fazendo barulho pelos trilhos na frente de nós, rápido como uma puta. Eu o alcancei até eu estar correndo do lado dele.

“Vamos lá, Nikki! Vamos lá!” eu gritei. Ele ainda estava ofegando atrás de mim. Eu agarrei um pequeno apoio de metal perto da traseira de algum dos vagões e o trem puxou meus pés. Eu balancei minhas botas para um degrau na traseira do vagão, e eu estava livre.

Nikki estava quase alcançando. “Vamos lá, cara. Vamos lá.” Eu gritei. Ele mergulhou e pegou a ponta do degrau que eu estava. O trem estava o arrastando, com seu corpo torcido e seu pé batendo na sujeira. Eu agarrei seus braços e o puxei pra onde eu estava.

“Meu deus, cara! Isso é o melhor!” nós gritamos telepaticamente um pro outro. “Nós acabamos de saltar no nosso primeiro trem!”

E, então, nós vimos Fred e o hotel sumindo pela distância, a emoção tinha acabado. Nós não tínhamos idéia de onde nós estávamos, pra onde estávamos indo, e não tínhamos dinheiro. O trem estava pegando velocidade, se movendo cada vez mais rápido. Nós olhamos um pro outro, aterrorizados. Nós tínhamos que sair daquela coisa. Isso não parecia ter a mínima intenção de parar logo. Nós não podíamos fazer isso: nós tínhamos um show no outro dia.

“Ok. Um, dois, três,” nós pensamos um pro outro. E no três, nós dois saltamos, caindo nas pedras no chão, que deixou machucados, arranhões, e vergões em vários lugares no nosso corpo. Nós seguimos os trilhos de trem de volta pra casa, finalmente chegando ao hotel enquanto o sol nascia.

Antes da turnê do Theatre of Pain, nós nunca deveríamos ter deixado. Nós tínhamos que ter deixado o trem nos levar para o fim do mundo se pudesse. Nós nunca procurávamos pensar sobre alguma coisa antes de fazermos. Nós apenas pensamos sobre isso quando: (A) era tarde demais, ou (B) alguém se machucava.

Mas não era mais assim depois do acidente do Vince. Alguma coisa tinha mudado. Claro, nós continuamos nos divertindo, ficando loucos, fodidos, e socando nossos pintos em tudo. Mas não era a mesma coisa: Foder levava à casamento, casamento à divorcio, divorcio levava à pensão alimentícia, pensão alimentícia levava à pobreza. Tudo estava diferente depois do acidente: nós ficamos conscientes sobre nossa mortalidade – como seres humanos e como uma banda.

20 de dez. de 2010

Capítulo 9 - Vince

Capítulo 9

Vince

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Promover anedotas, sobre o que os atenciosos leitores podem se perguntar como os deuses da fortuna sexual conseguiram favorecer ao Vince mesmo nos mais improváveis apuros.

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Duas semanas depois da turnê do Theatre of Pain, eu coloquei meu mais novo Rolex de vinte mil dólares feito em ouro com diamantes a salvo na minha gaveta, peguei um taxi pra estação policial mais perto, e me entreguei. Eu queria acabar com isso. Eles me levaram pra uma silenciosa prisão em Torrance pra cumprir minha pena de trinta dias.

Meu companheiro de cela estava na cadeia por roubar carros esportivos, e nós dois tínhamos bons comportamentos, que significa que tínhamos que levar comida pra outros prisioneiros, limpar celas, e lavar os carros policiais. Em troca, nós ganhávamos privilégios: não apenas televisões e visitantes, mas em finais de semana os guardas nos levavam hambúrgueres e latinhas de cerveja. Eu tinha passado quase um ano na estrada tentando ficar sóbrio pra agradar a corte, e agora que eu estava na cadeia os guardas estavam me encorajando a beber. Mesmo que o sargento no turno da noite odiasse minha coragem, o resto queria autógrafo e fotos. De várias maneiras, a reabilitação, a culpa, as manchetes dos jornais, e viajar sóbrio foram sentenças piores do que a prisão.

Uma tarde, uma fã loira que tinha descoberto a cadeia que eu estava e parou pra visitar. Ela estava usando Daisy Dukes e top de lycra que amarrava na frente, e o sargento disse que eu poderia levá-la pra minha cela por uma hora. Eu andei com ela pelo corredor, observando todos os outros prisioneiros babando enquanto nós desfilávamos. Eu a coloquei na minha cela, fechei a porta, e fodi ela na minha cama dobrável. Eu não podia fazer nada errado aos olhos dos meus companheiros de prisão depois disso.

Um dia antes de eu começar minha sentença, Beth e eu tínhamos nos mudado pra uma casa de 1,5 milhões em Northbridge com a nossa filha de dois anos e meio, Elizabeth. Beth me visitava na prisão todos os dias na primeira semana. Então de repente ela parou de ir. Eu realmente não pensava muito sobre isso: eu não estava amando ela quando nós casamos, e isso apenas decaiu depois disso.

Depois de dezenove dias, o diretor me liberou por bom comportamento. Como eu não sabia sobre Beth, eu tinha um companheiro que me tirou de lá. Nós dirigimos pra Northbridge, mas eu não me lembrava onde ficava nossa casa. Depois de uma hora de busca, nós finalmente a encontramos do outro lado. Eu fui até a porta e toquei a campainha. Ninguém estava em casa. Eu andei em volta e verifiquei as janelas, mas todas as cortinas estavam abaixadas. Talvez nós estivéssemos na casa errada.

Eu andei pra trás da casa, e eu tinha certeza que eu reconheci a piscina e o jardim. Então eu decidi invadir. Tinha uma porta de vidro, e eu despedacei uma das vidraças perto da maçaneta, a alcancei e a abri, rezando pra que eu não fosse levado de volta pra cadeia por quebrar e ter invadido. Eu entrei e dei uma olhada. Era a minha casa, mas algo estava diferente: todos os móveis não estavam lá. Beth tinha levado tudo – até a bandeja de gelo do freezer. Tudo o que ela deixou pra trás foi o meu Rolex e meu Camaro Z28. O único problema era que ela tinha levado as chaves.

Eu liguei para os pais da Beth, pro seus avós, e seus amigos, e todos eles afirmaram que não sabiam dela. Eu não estava interessado em falar com ela: eu só queria um divórcio, a chave do meu carro, e alguma forma de manter contato com a minha filha. Eu não vi Beth de novo por quase dez anos, quando ela apareceu em um show na florida na companhia do seu novo marido e uma nova criança. Nossa filha, Elizabeth, finalmente tinha mudado pra Nashville pra tentar ser uma cantora country.

Pra mim, depois de um ano de sobriedade vigiada, prisão, terapia, e penitência, estava na hora de ter um pouco de diversão com responsabilidade. Eu me mudei com dois colegas e, ao invés de comprar móveis, instalei um poço de lama pra lutas de mulheres. Eu convidei todos os traficantes de drogas que eu conhecia pra ir à minha casa, porque onde tinha drogas, tinha garotas. Em uma das minhas festas, um bando de pessoas de terno entrou. Indo pra fora, um deles colocou na minha mão uma pedra de cocaína do tamanho de uma bola de golf, virou seu chapéu, e disse, como se ele fosse Deus ou algo assim, “Obrigada por sua hospitalidade.” Depois disso, ele estava na minha casa toda noite. Seu nome era Whitey, um traficante de drogas que provavelmente usava mais cocaína do que ele vendia, um convidado de casa que nunca foi embora. Ele tinha passado algum tempo em New Mexico, e logo ele iria começar trazer seus colegas de lá, particularmente um cara violento, sensível, deprivado chamado Randy Castillo. Algumas noites acabávamos com um monte de garotas com lingerie e Whitey, Randy, e alguns outros amigos de roupão; outras noites eu trazia um monte de garotas da Tropicana para lutarem peladas pra mim e pros meus companheiros. Eu queria demais esquecer sobre o ano passado, parar de ser Vince Neil e começar a ser outra pessoa, como Hugh Hefner.

fig. 5

6 de dez. de 2010

(continuação 2) Capítulo 8 - Nikki

Rick Nielse, o guitarrista do Cheap Trick, queria nos apresentar ao Roger Taylor do Queen, que era um dos bateristas favoritos do Tommy. Roger nos levou a um restaurante russo que ele disse que o Queen e os Rolling Stones sempre iam. Ele levou Tommy, Rick, Robin Zander - o vocalista do Cheap Trick, e eu para uma sala privada com mãos esculpidas em carvalho pelo teto. Nós sentamos em volta de uma grande mesa velha de madeira e bebemos todos os tipos de vodkas conhecidas por um homem – doce, picante, de framboesa, alho – antes de atacarmos um banquete russo. Rick estava vestindo uma jaqueta preta de borracha, e por alguma razão eu ficava falando pra ele que eu queria mijar naquilo.

Nós estávamos começando a ficar bêbados e cheios, rindo sobre como aquela noite foi boa, quando um garçom entrou e disse, “A sobremesa vai ser servida.” Daí a equipe inteira de garçons entrou na sala. Tinha um garçom pra casa um de nós, e casa um estava cuidadosamente carregando uma travessa de prata coberta. Eles colocaram os pratos na nossa frente e um por um foi levantando as tampas. Em cada uma tinha sete carreiras. Mesmo eu estando com medo da noite anterior, eu cheirei todas elas e continuei bebendo. A próxima coisa que eu soube, nós estávamos de volta ao bar do nosso hotel e Roger Taylor estava falando com Rick Nielsen enquanto eu estava sentado no banco atrás deles. Eu me ajoelhei no bando, abaixei minha calça de couro, e fiz o que eu prometi a noite inteira: mijar na jaqueta do Rick. Ele não percebeu o que estava acontecendo até começar gotejar na sua calça até no chão. Eu pensei que isso era muito engraçado na hora, mas quando eu fui pro meu quarto depois disso, eu me senti muito mal: eu tinha mijado no meu herói.

Eu queria sair por aí e procurar heroína naquela noite, mas eu me forcei a ficar deitado na cama e esperar o sono vir. Eu não iria parar de usar heroína, mas talvez fosse hora de usar menos. Eu comecei a tentar controlar meu consumo: eu injetava um dia, e ficava limpo no outro. Às vezes eu ficava três dias sem injetar. Mas eu estava apenas me fazendo de idiota. Eu descobri que eu sentia falta da heroína antes da turnê acabar.

Antes de a gente entrar no avião pra ir da França pra casa, eu liguei pro meu fornecedor em L.A. e disse a ele pra me encontrar no aeroporto. Então eu liguei pra uma limusine pra pegá-lo pra ter certeza que ele estaria lá em tempo. Eu fiquei impaciente no meu banco a viagem inteira, pensando em injetar essa doce dose de heroína nas minhas veias depois de tanto tempo. Eu não me importava mais em meter. Vince podia pegar todas as garotas – apenas me deixe as drogas.

Eu fui o primeiro a sair do avião. “Tchau garotos, vejo vocês depois,” foi tudo o que eu disse pra banda que eu passei os últimos oito meses junto. Daí eu me mandei com o meu fornecedor, entrei na limusine, e já tinha uma agulha no meu braço antes da porta estar fechada. Nós encontramos a Nicole na Valley Vista Boulevard na Sherman Oaks, onde ela me mostrou a minha primeira casa de verdade, que ela tinha escolhido pra mim enquanto eu estava em turnê.

Eu sempre pensei que idade e sucesso tinha me permitido de superar a vergonha e baixa auto-estima que eu tinha desenvolvido na constante mudança de casas e escola quando criança, mas na realidade eu não tinha mudado nada. Eu tinha apenas afogado esses sentimentos na heroína e no álcool. Como um ser humano, eu nunca realmente tinha aprendido como agir ou me comportar. Eu continuava sendo a criança que não sabia jogar jogos normais com seus primos. Enquanto eu crescia, eu apenas me colocava em situações onde eu era o único a fazer o show. Eu não era interessado em sair com outras pessoas no ambiente delas, onde eu não tinha controle. Então uma vez que eu coloquei os pés na minha casa, eu dificilmente saia. Nicole e eu injetávamos entre quinhentos mil dólares por dia em droga. Nós chegávamos com sacolas de heroínas, pedras de cocaína, caixas de Cristal, e o tanto de pílulas que conseguíssemos.

Primeiramente, isso era uma grande festa. Izzy Stradlin ficava enrolando uma bola na frente da lareira, atrizes pornô passavam pela sala de estar, e Britt Ekland saia do banheiro cambaleando. Uma noite, duas garotas foram lá e disseram que elas estavam com um cara chamado Axl que era de uma banda chamada Guns n’ Roses, e ele queria entrar lá, mas ele era muito tímido para bater e pedir.

“Eu acho que já ouvi sobre ele,” eu disse pra elas. “Eu conheço o guitarrista dele ou algo assim.”

“Então ele pode entrar?” elas perguntaram.

“Não, mas vocês podem.” Eu disse pra elas. E elas entraram.

Enquanto eu usava mais e mais cocaína. A paranóia veio e logo eu dificilmente conseguia deixar as pessoas na casa. Nicole e eu ficávamos sentados pelados por aí dia e noite. Minhas veias estavam desmoronando e eu procurava pelo meu corpo pra achar novas: nas minhas pernas, nos meus pés, mãos, pescoço, e, quando as veias de todos os lugares estavam secas, meu pinto. Quando eu não estava injetando, eu fazia ronda da minha casa por causa de intrusos. Eu comecei a ver pessoas em árvores, ouvia policiais no telhado, imaginar helicópteros do lado de fora com equipes da S.W.A.T. vindo me pegar. Eu tinha uma .357 Magnu,. E eu constantemente caçava pessoas no closet, embaixo da cama, e dentro da máquina de lavar, porque eu tinha certeza que tinha alguém escondido na minha casa. Eu ligava pra companhia de segurança, West-Tech, freqüentemente que eles tinham uma anotação no escritório que avisava os patrulheiros para atender meus alarmes com precaução porque eu tinha apontado uma arma carregada várias vezes nos seus empregados.

Eu estive no palco tocando pra dez mil pessoas, agora eu estava sozinho. Eu tinha me afogado em uma condição sub-humana, passando semanas no meu closet com uma agulha, uma guitarra, e uma arma carregada. E ninguém da banda visitava, ninguém ligava, ninguém vinha me resgatar. Eu não podia culpá-los. Depois de tudo, Vince tinha ficado na cadeia por três semanas e nenhuma vez me ocorreu de ligar pra ele ou visitá-lo.

(continuação) Capítulo 8 - Nikki

Quando a turnê terminou na Europa, eu estava vingativo, me odiando. No dia dos namorados, nós tocamos com o Cheap Trick em Londres e os caras do Hanoi Rocks foram lá pra ver o show. Brian Connolly da Sweet estava no backstage, e eu sabia que ele não se lembrava de ter dito pra mim que eu nunca conseguiria aquilo quando eu mandei pra ele umas demos da London uns anos antes. Quando eu o vi, eu senti raiva e fiquei magoado por causa daquela ligação. Eu o encarei, esperando que ele de alguma forma se lembrasse e viesse pedir desculpas, mas ele nunca disse uma palavra pra mim. E eu não iria até ele parecendo feliz porque eu parecia uma merda por não ter injetado desde manhã. Eu estava satisfeito com todo mundo na banda falando o quão idiota ele era naquela noite. Esse foi o meu presente de dia dos namorados.

Eu peguei o Andy do Hanoi Rocks depois no show e nós entramos em um taxi preto inglês pra procurar heroína. Com a música do Clash “White Man in Hammersmith Palais” tocando em minha cabeça, nós finalmente achamos um comerciante em uma fila fodida de condomínios de casas próximo.

“Essa coisa é bem forte.” O comerciante sorriu pra mim com os dentes largos e podres.

“Tudo bem,” eu disse pra ele. “Eu sou um velho profissional.”

“Você parece bem mal, cara,” ele me disse. “Você quer que eu faça isso pra você?”

“Sim, seria ótimo.”

Ele ergueu minha manga e amarrou uma borracha de médico em volta do meu braço. Eu segurei firme enquanto ele enchia o êmbolo e enfiava a agulha no meu braço. A heroína correu pelas minhas veias e, logo que ela explodiu no meu coração, eu percebi que eu tava fodido. Eu nunca deveria ter deixado outra pessoa injetar em mim. Foi isso: Eu estava morrendo. E eu não estava pronto. Eu ainda tinha coisas pra fazer, mesmo eu não lembrando exatamente o que era. Ah é. Merda.

Eu tossi, eu sufoquei, eu tossi de novo. Eu acordei e o quarto parecia de ponta cabeça. Eu estava no ombro do comerciante, que estava me carregando pra fora da porta como uma bolsa velha de lixo. Eu fiquei sem ar de novo, e vomito começou a transbordar da minha boca. Ele me colocou no chão. Meu corpo ficou azul, tinha gelo na minha calça que era do Andy tentando me acordar, e eu tinha vergões enormes no meu braço e peito por ter sido golpeado com um taco de baseball. Foi a idéia do comerciante: ele pensava que poderia me deixar com muita dor que meu sistema se chocaria e voltaria a funcionar. Quando essa tática falhou, ele evidentemente deicidiu me jogar na caçamba atrás do condomínio e me deixar morrer. Mas daí eu vomitei nos seus sapatos. Eu estava vivo. Eu considerei meu segundo presente de dia dos namorados da noite.

Claro, eu não aprendi minha lição. Ninguém na banda nunca pareceu aprender sua lição, não importava quantos avisos Deus dava. Duas noites depois, eu estava nisso de novo.