21 de mar. de 2011

Capítulo 1 - Mick (continuação)

Aos catorze anos, eu entrei pra minha primeira banda, a Jades, uma banda cover de Beatles com algumas próprias que poderiam muito bem terem sido música dos Beatles. Eu comecei no baixo, mas logo eles substituíram seu guitarrista. Nosso primeiro show foi no American Legion Hall em Westminster, e nós conseguimos doze dólares para dividir entre nós quatro. Nós nunca fomos chamados de volta, entanto: ou nós éramos pesados demais ou muito ruins.

Eu tinha um amigo chamado Joe Abbey, um samoano que nunca abriu mão da guitarra surf e podia tocar tão bem que ele faria você cair de joelhos. Eu queria pegar emprestado seu amplificador e seu pedal, mas ele disse que eles pertenciam a Garcia Brothers. Ele me deu o telefone deles, e foi onde tudo realmente começou.

Eu entrei na casa deles, e achei três deles – Tony, Johnny, e Paulie. Eles eram grandes e miseráveis e lideravam uma gangue chamada Garcia Brothers. Tony era um guitarrista que teria seus irmãos espancados se alguém falasse que eles eram melhores que ele, Paulie era um baterista alto que era infeliz porque ele se sentia como se ele devesse tocar guitarra, e Johnny era um baixista que tinha sido levado para a autoridade quando ele tinha dezesseis anos por espancar dois policiais. Eles também tocavam com um não-irmão, Paul, um tocador de gaita que parecia Jesus. Eles eram rígidos, e eles não tocavam surf rock ou Beatles. Eles tocavam blues. Blues elétrico e pesado.

Os vizinhos dele os odiavam, porque eles sabiam que os irmãos estavam usando drogas e brigando. Por alguma razão, eram sempre pessoas cegas, surdas, ou aleijadas em volta dos irmãos, e eu imagino que isso era evidência que um dos dois tinha um lado suave e compassivo ou estavam correndo de algum tipo de mistério defraudado. Às 9 da noite, numa noite, os policiais nos prenderam por causa de queixa de barulho, e eu reconheci o que eles chamavam de condicional de verão basicamente apenas por tocar minha guitarra. (Isso talvez seja o porquê agora eu tenho aversão aos vizinhos que fazem queixas do barulho.) Nós formamos uma banda pretensiosamente chamada Sounds of Soul, e tocamos em clubes para menores de idade perto do Orange Country como o Sandbox.

Na escola, eu não ligava para nada a não ser para a música. Eu era um dos três melhores guitarristas lá: o melhor era Chuck Frayer, que podia solar como ninguém que eu já havia visto, fazendo bends e deixando-as no ar para sempre. Ele acabou sendo recrutado para a marinha durante o Vietnam, e a última vez que eu o vi foi no The Gong Show. Ele estava tocando a harmônica em um terno que o fazia parecer que tinha duas cabeças. E você pode apostar os lucros da sua mãe que ele foi o gongo.

Outro guitarrista bom era Larry Hansen, que acabou com os Gatlin Brothers. E o terceiro era eu. Escola era pura tortura, e tudo o que eu conseguia pensar a respeito era ir para a casa para praticar. Em inglês, nosso professor, Mr. Hickock, queria que escrevêssemos um trabalho interpretativo em um poema. Todas as outras crianças escreveram sobre Robert Frost e Ralph Waldo Emerson, mas eu apareci com “Pressed Rat and Warthog” da Cream. Quando Mr. Hickock devolveu os papéis, ele tinha escrito no meu: “F – que é uma grande incompreensão.” No outro dia, nós tivemos uma prova, e eu respondi uma questão por chamar o professor de antiquado, odiador de música esnobe, escrevendo “que é uma grande incompreensão” sob isso. Eu entreguei o papel, e quando ele leu aquilo, ele me mandou pro diretor, que me deu suspensão – que era uma grande incompreensão, ele disse, porque eu deveria ser expulso. Eu não liguei. Eu só queria ser ensinado por pessoas que soubessem algo sobre música. Mas agora eu penso que eu deveria ter prestado mais atenção nas aulas de inglês, porque quando eu falo com as pessoas, eu me preocupo que eu fale de forma inculta ou use as palavras erradas.

Quando eu voltei para a escola, um professor substituto de ciências me colocou pra fora por escrever acordes de guitarra no meu caderno ao invés de prestar atenção. Enquanto eu caminhava para fora da classe, eu virei para ele e gritei, “Eu sei onde você estaciona o seu carro! Eu sei onde você mora! É melhor você tomar cuidado!” Eu não acho que eu era aquele que assustava as pessoas – eu parecia o Duane Allman de cabelo vermelho com bigodinho. Mas o professor ficou tão assustado, que mandou policiais para minha casa.

Até então, eu estava morando em um chalé atrás da casa dos meus pais, o qual ficava ao lado de um riacho. Era um lugar que eu podia tocar minha guitarra a qualquer hora, ficar acordado até a hora que eu quisesse, e deixar amigos entrarem e beber um vinho. Quando os policiais viram o lugar, eles disseram que não era bom nem para um cachorro morar. Eles deram lição de moral nos meus pais e, apesar de eu ser permitido a voltar a escola, eu acho que eu parei de ir depois disso. Se escola até então fosse como as que temos hoje – com aulas de arte, apreciação musical, e computadores – eu teria ficado. Mas não tinha nada lá que me interessava.

PARTE SETE - ALGUNS DOS NOSSOS MELHORES AMIGOS SÃO TRAFICANTES DE DROGAS - Capítulo 1 - Mick


PARTE SETE

>>ALGUNS DOS NOSSOS MELHORES AMIGOS SÃO TRAFICANTES DE DROGAS<<

Capítulo 1

Mick

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Na qual o ex-trato de Bob Alan narra as travessuras da sua juventude há tempos atrás quando cowboys perambulavam pela terra e o controle de natalidade claramente ainda não tinha sido inventado.

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De volta aos meus tempos, cordas não eram feitas de arames. Era corda de verdade mais ou menos um quarto de uma polegada de extensão se você a abrisse. Era próximo ao barbante, na verdade, e nós usávamos isso para embrulhar o feno. Eu acho que nós também usávamos isso para enforcar meu irmão mais velho.

Meu irmão mais novo, Tim, e eu fizemos um laço de um pé e meio na corda e seguramos isso com um nó corrediço. Eu joguei o laço em cima do galho de um carvalho e amarramos a outra ponta da corda em volta do tronco. Tim achou uma caixa com cinco galões no galpão da minha avó e colocou isso abaixo da trava do nó corrediço. Eu chutei a caixa para longe dele, e nós observamos ele balançar.

Nós éramos os indianos: ele era o cowboy. Ele gritava e lutava enquanto ele se balançava no ar, e ele continuava tentando arrancar o nó a força com a sua mão. Quando nós ficamos entediados de ficar o vendo tentar respirar e gritar, Tim e eu entramos.

"Onde está Frank?" Tia Thelma perguntou. Tia Telma, que não devia ter mais do que cinco pés de altura, era a filha mais leal da minha avó e morou com ela até finalmente se casar com vinte e cinco anos.

"Ali fora." Tim apontou para o lado do jardim.

"Oh meu verbo," Tia Thelma respirou, e ela correu para a árvore, levantou Frank, e tirou o laço do seu pescoço.

Eu tinha cinco anos. E eu não estava brincando. Eu nasci B.A.D. (*mau) – Bob Alan Deal. (*Negócios de Bob Alan). Pessoas que tiveram experiências quase-morte sempre dizem que eles entraram num túnel, e no final do túnel tinha uma luz. Eu gosto de pensar que quando você morre, você anda pelo túnel, e quando você chega a outra ponta, você é renascido. O túnel é o canal de nascimento, e a luz no final do túnel é a maternidade, onde sua nova vida te espera. Quando alguém tem uma experiência de quase-morte, quando eles vêem a luz, mas não andam até ela, lá tem uma mulher em algum lugar dando a luz a um bebê natimorto que era suposto a ter a alma dessa pessoa.

Eu costumo dizer para as pessoas que na outra vida eu era Buddy Holly, daí eu voltei como o Brian Jonas do Rolling Stones, e finalmente eu retornei para a terra como Mick Mars. Mas eu nunca falava sério. Isso não significa que eu rejeitei uma possibilidade de uma vida passada, mas eu me pergunto por que as pessoas sempre acreditam que foram uma figura famosa ou histórica, O que aconteceu com os limpadores de chaminés e donas de casa? Eles não foram reencarnados, também? Enquanto pra mim, eu fui avisado da minha vida passada por um velho hippie sábio conhecido como Midnight Gardener, que costumava ir a minha casa na Santa Monica Mountains e ficava no meu gramado toda noite a uma da manhã. O Mignight Gardener me disse que eu fui o Rei do Bórneo, um canibal, e um escravo que trabalhava nas grandes pirâmides do Egito. Eu acho que eu devo ter sido algum tipo de conquistador de mulheres e ladrão, porque nessa vida eu fui castigado por isso: mulheres e dinheiro não gostam de mim. De fato, o passado sempre pareceu sair da minha vida tarde.

Desde o momento que eu enforquei meu irmão, eu soube o que eu queria com essa vida. Porque mais tarde naquela semana, Tia Thelma levou Frank, Tim, e eu para o 4-H Fair no Hiers Park em Huntington, Indiana, onde nós morávamos. Ela comprou picolés para nós, e nós sentamos na grama para comê-los e assistir a um show. Eu era muito novo, eu nem sabia o que era um show. Eu vi um cara magro e alto usando um terno de cowboy laranja brilhante com strass e um chapéu branco – mais exagerado do que a roupa de cowboy que o Frank estava usando quando eu o linchei. O cara no palco se apresentou como Skeeter Bond, e ele começou a cantar. Tinha outros cowboys tocando guitarra e bateria atrás dele, fazendo muito barulho. Meu maxilar abriu, e eu esqueci completamente do meu picolé, que derreteu na minha roupa. Eu queria ser ele. Eu queria fazer música em um palco. Eu não me importava com o tipo de música. Música era música: era tudo bom, se era a música de cowboy do Skeeter Bond ou os discos do Elvis Presley da minha mãe.

Nesse Natal, meus irmãos e eu corremos pro andar debaixo de manhã para abrir nossos presentes. Tinham longas meias penduradas na lareira, e um deles tinha uma guitarra muito pequena com cordas que eram provavelmente elásticos. “Isso é meu!” eu gritei, e agarrei aquilo antes que alguém pegasse de mim. O Natal seguinte, quando eu tinha seis anos, minha mãe comprou uma guitarra do Mickey Mouse pra mim, que tinha orelhas de rato no braço e uma pequena alavanca que eu podia virar para fazer músicas Mouseketeer. Mas eu não estava interessado nas músicas Mouseketeer. Eu aprendi como apertar as cortas para que elas pudessem parecer mais com a guitarra aguda do Skeeter Bond, e descobri como tocar melodias de verdade nela.

Tinha um vagabundo legal nos seus vinte anos que morava perto, e eu o chamada de Sundance. Ele tinha uma guitarra velha chamada Blue Moon, e ele me ensinou minha primeira música de verdade na Blue Moon: “My Dog Has Fleas.” Às vezes eu queria saber se era música country ou se era meu desejo de verdade.

Finalmente, Sundance me ensinou como palhetar melodias, como a balada matadora “Hang Down Your Head Tom Dooley.” Eu gostava dessa melodia porque ela saltava da Blue Moon, e, embora eu não sabendo a terminologia na época, eu já estava preferindo tocar guitarra com mais ritmo, que parecia mais com algo que estava sendo tocado no fundo.

Se não fosse por Jesus ter nascido, eu nunca teria chegado a lugar nenhum na música. Porque foi em outro Natal, alguns anos mais tarde, que meu primo mais velho comprou pra mim uma guitarra Stella que ele tinha achado em uma casa de penhores por doze dólares.

Logo depois, meus pais deram à luz a sua primeira menina, Susan (ou Bird, como a chamávamos). Bird nasceu com um problema no pulmão, e para aumentar sua chance de sobrevivência, os médicos sugeriram que nós nos mudássemos para um clima mais árido, como Arizona e Califórnia. Então, dez de nós - eu, meus irmãos, meus pais, minha irmã, minha tia, meu tio e meus primos – nos enfiamos em um Ford 1959. Depois de três dias e meio de costas rígidas e privação de oxigênio, chegamos em Garden Grove, Califórnia. Foi como em The Grapes of Wrath, apenas Califórnia realmente viveu até a fantasia: Havia laranjeiras por toda parte. E a noite, nós pudemos ver os fogos de artifício saindo acima da Disneylândia. Mas na Califórnia, música country e Skeeter Bond eram palavras estrangeiras. Surf music era o que estava rolando – Dick Dale, the Ventures, the Surfaris.

Meu pai trabalhava na Menasha Container (que fazia caixas de papelão para uma das minhas companhias preferidas, Fender) e minha mãe passava camisetas nos finais de semana para um dinheiro extra – dois dólares por dia se ela tivesse sorte. Apesar eu ter outro irmão mais novo e uma irmã até então, ela continuava a guardar dinheiro suficiente para comprar uma guitarra elétrica St. George de quarenta e nove dólares. Agora eu podia tocar surf music que soava como ondas enroladas e barulhentas, como o Dick Dale tocava. Volume também era importante pra mim, mas meus pais não tinham dinheiro suficiente para comprar para mim um amplificador ou um estéreo. No lugar disso eu pegava o alto falante do fonógrafo da minha irmã, arrancava as cordas do braço, e fazia minha própria combinação de amplificador e estéreo para que eu pudesse tocar minhas músicas surf favoritas.

Meu pai, entretanto, acordou um dia e de repente decidiu se tornar ministro batista. Quando ele era criança, ele sofreu de uma doença debilitada que atacou suas pernas. Os médicos falaram que não tinha nada que eles poderiam fazer por ele a não ser rezar por piedade para Deus. Quando a doença se resolveu, isso deve ter plantado um despertar de Deus na cabeça do meu pai, que se excitou naquela manhã quando ele veio correndo na cozinha louco que ele tinha visto os erros dos seus jeitos e queria dedicar sua vida sendo ministro.

Apesar da descoberta da religião, meu pai nunca tentou me desencorajar de fazer música. Ele e minha mãe pensavam que a razão por eu ser tão obcecado era que meu cérebro foi frito quando eu tinha três anos. Eu peguei febre escarlate e fiquei com 106 graus de temperatura por três dias. Um médico foi até a casa da minha avó, quando eu estava na cama quase morto, e tirou todas minhas roupas, me cobriu com toalhas frias, e encheu minha cama com gelo. Daí ele abriu todas as portas e janelas na casa até o ar de inverno encher o quarto, e depois de uma hora, a febre abaixou. Eu estava doente demais, eles disseram, que talvez eu nunca tivesse me recuperado.

Surf music, para eles, era apenas outra doença. Mas logo depois veio uma doença mais contagiosa, os Beatles. Na noite anterior, surf rock estava arcaico e pop com vocal – melodias, harmônicos, e letras que você podia balançar a sua cabeça – era o que tava rolando. Eu decidi que eu tinha que cantar, também. Eu praticava todo dia durante um ano até eu estar pronto pra mostrar pra minha família. Eu os reuni no andar debaixo e cantei “Money” dos Beatles. O meu primo que tinha comprado minha primeira guitarra de verdade teve um ataque histérico. Ele disse que eu não conseguiria cantar uma música se ele me fizesse ficar quieto e colocasse fim nisso. Eu fiquei tão constrangido que eu nunca tentei cantar de novo – para o resto da minha vida.


4 de fev. de 2011

Capítulo 2 - Nikki (continuação)

Mas as vozes continuaram. “Eu irei matar vocês, eu irei matar vocês!” eu gritei pra eles. Eu abri a porta chutando, e vi que elas estavam vindo de um locutor de quatro pés de altura no canto. Eu carreguei outro pente de bala na arma e acertei o locutor com pontos ocos de bombardeio da .375 Magnum. Aquilo caiu pro lado. Mas as vozes continuaram: “Oi, esse é KLOS, e vocês estão falando com Doug...”

Eu me virei, e todo mundo caiu fora da minha sala enquanto eu acabava com o pobre locutor até, finalmente, as vozes pararem. Eu acho que a Vanity deve ter, em um momento de lucidez, descoberto como desligar o rádio.

Nossa relação era uma das mais estranhas, mais autodestrutivas que eu já tive. Nós farreávamos juntod por uma semana, e então não nos víamos por três semanas. Ou, enquanto fumávamos crack, ela me ensinava o quanto a Coca-Cola era ruim para o meu estômago. Uma tarde quando eu estava na casa dela, uma dúzia de rosas de Prince chegaram com uma nota escrita: “Deixe-o. Me responda.” Na hora, eu me deixei enganar, mas agora eu acho que ela estava apenas me manipulando. Prince provavelmente nunca mandou nenhuma flor.

Outras vezes, eu tava no apartamento dela, e ela me mandou ir tomar suco de laranja. Quando eu voltei, os seguranças não me deixaram entrar.

“Mas eu estava aqui agora pouco,” eu disse, completamente confuso.

“Desculpe, senhor, ordens diretas. Você não pode entrar.”

“Que mer...”

“Se eu fosse você, eu iria pra qualquer outro lugar. Eu não sei tudo o que acontece nesse apartamento, mas eu não quero saber.”

Um dos seus vizinhos por fim me disse que ela tinha um vendedor esperando por ela na esquina, que levava pra ela pedras de cocaína para quebrar logo que eu saia. Ela escondia isso de mim não porque ela estava envergonhada do tamanho do seu habito, mas porque ela estava preocupada que eu usasse tudo.

Uma noite, Vanity pediu para eu casar com ela. Eu disse sim apenas porque eu estava drogado, a idéia era surreal, e isso era mais fácil do que falar não. A relação se baseava apenas em drogas e diversão, não amor ou sexo ou até mesmo amizade. Mas quando ela estava drogada em uma entrevista, ela dizia pra imprensa que nós estávamos noivos. Tommy estava em uma casa multimilionária em Hollywood, e lá estava eu preso na cidade do rock. Sem saber isso sempre parecia que ele estava olhando de cima para a gente – porque nós merecíamos isso.

Enquanto eu estava saindo com a Vanity, nossos empresários começaram a tentar colocar a banda de volta na comunicação para gravar um álbum. Nessa altura, eu não estava apenas fazendo freebasing, eu estava usando heroína de novo. Eu usava botas de cowboy do lado de fora de calças justas, e os lados das botas estavam constantemente cheio de seringas e blocos de alcatrão. Eu não queria estar injetando mais, e eu coloquei muito esforço em tentar ficar direito. Mas eu não conseguia ajudar isso. Quando eu decidi continuar na metadona para retroceder, isso apenas piorou e logo eu estava viciado em heroína e metadona. Toda manhã, antes de ir para o estúdio, eu dirigia para a clinica de metadona no meu novíssimo Corvette e ficava na fila com todos os outros drogados para pegar injeção. Daí eu dirigia para o estúdio e passar metade de cada dia dando pausas para ir ao banheiro. Às vezes Vanity passava por lá e me embaraçava por dar lições de moral na banda por causa dos perigos das bebidas gasosas e o ato de acender incensos que cheiravam a merda de cavalo.

Lita Ford estava trabalhando em um disco no estúdio na próxima porta, e quando ela me viu, ela não conseguia acreditar em quanto eu estava deteriorado. “Você estava pronto para enfrentar o mundo,” ela me disse, “mas agora você parece como se você estivesse deixando o mundo te levar para baixo.”

E apesar de eu não conseguir escrever uma música para o disco do Mötley, eu consegui escrever uma música com ela para o álbum dela, titulada de maneira correta “Falling In and Out of Love.”

Enquanto nós estávamos chegando a algum lugar lentamente com o nosso álbum, meu avô e tia Sharon ficavam ligando. Minha avó estava ficando doente, e eles queriam que eu fosse visitá-la. Mas eu estava tão drogado, que eu ficava ignorando as ligações – até ser tarde demais. Meu avô ligou chorando numa tarde e me deu instruções para o funeral dela, que era estar lá o próximo sábado. Eu prometi a ele que eu iria estar lá. Quando o sábado chegou, eu estava acordado fazia dois dias diretos. Eu cheirei um pouco de cocaína para me dar energia suficiente para por um pé na frente do outro, engatinhado fora do sofá, começado a me vestir, e remexendo tentando achar o endereço por uma hora. Então eu mudei minhas roupas três vezes, e fiquei rodeando procurando a chave do carro e me preocupando em como eu iria achar o local do funeral antes de eu decidir que isso era complicado e eu não conseguiria fazer meu papel em grupo. Eu sentei de volta no meu sofá, usei um pouco de freebasing, e liguei a TV.

Eu sentado lá, sabendo que enquanto eu assistia Gilligan’s Island, o resto da minha família estava no funeral dela, e a culpa começou a cair. Ela era a mulher que tinha me suportado quando minha mãe não conseguiu, a mulher que tinha me levado do outro lado do país do Texas para Idaho como se eu fosse seu próprio filho. Sem sua boa vontade para me entender toda hora, se ela estivesse vivendo em um posto de gasolina ou em uma fazenda de porcos, eu provavelmente nunca estaria sentado em uma casa de rock star gigante injetando. Eu estaria fazendo isso debaixo de uma ponte em Seattle.

No outro dia, eu resolvi ficar limpo para poder escrever alguma música para o álbum, e talvez até ligar para o meu avô e implorar para ele esquecer minha auto-centralidade. A primeira música que eu escrevi foi “Nona,” que era o nome da minha avó. Tom Zutaut passou pela minha casa e ouviu – “Nona, I’m out of my head without you” – e as lágrimas escorreram de seus olhos. Eu freqüentemente tenho pesadelos sobre a doença da minha avó e do funeral, porque não estar lá para ela e pro meu avô é uma das coisas que eu mais me arrependo sobre minha vida.

Tom não estava mais trabalhando na Elektra. Ele tinha mudado pra Geffen e tinha assinado o Guns n’ Roses. Ele queria que eu produzisse o álbum deles e visse se eu conseguiria tornar o punk-metal que eles estavam tocando na época um pouco mais comercial, limite melódico sem sacrificar a credibilidade. Eles eram apenas uma banda punk, ele me disse, mas eles eram capazes de ser a melhor banda de rock n’ roll no mundo se alguém pudesse ajudá-los a achar a melodia para levá-los a isso. Eu estava com muita agonia tentando diminuir minha entrada de drogas para considerar a idéia, mas a confidencia de Tom me motivou para escrever para o meu próprio álbum. Eu comprei um velho livro do Bernard Falk de 1937 chamado Five Years Dead, que inspirou a música de mesmo nome, e ajudou a colocar meu cérebro pra funcionar. Eu sabia que minha janela de sobriedade poderia ser curta, então eu tinha que trabalhar rapidamente.

Como o Theatre of Pain, Girls, Girls, Girls poderia ter sido um álbum fenomenal, mas nós estávamos envolvidos demais em nossas próprias besteiras para colocar qualquer esforço nisso. Você realmente pode ouvir a distância que cresceu entre nós em nosso desempenho. Se nós não tivéssemos conseguido forçar mais duas músicas para fora de nós (a música titulo e "Wild Side"), o álbum teria sido o fim das nossas carreiras.

No estúdio, nós estávamos misturando nossas músicas com algo que nós nunca tínhamos combinado com elas antes: culpa, negação, e segredo. E essas três palavras são a diferença entre um viciado e um hedonista. Tommy estava na Heatherlândia, que não era apenas um lugar de paraíso, mas também de disciplina, onde ele tinha que esconder o uso de drogas dela. Por causa disso, ele estava se tornando estressado destruído. Vince estava tentando ficar sóbrio, mas falhou miseravelmente, se distraindo com sua própria infelicidade com garotas e lutadoras na lama; Mick estava fazendo algo em nossas costas, apesar de nenhum de nós termos idéia do que era. Nos meses antes de nós retornarmos pro estúdio, nós estávamos ocupados demais lutando com os nossos demônios que nós completamente esquecemos-nos de Mick. Quando nós o vimos de novo, ele parecia que alguém tinha costurado sua cabeça junto com o corpo de um samoano lutador: seus braços e pescoços estavam tão inchados que nós ficamos preocupados que ele não conseguisse mais alcançar o braço da sua guitarra. Ele sempre pareceu velho demais para festejar conosco, que ele tinha feito seu uso se drogas enquanto era adolescente, mas algo estava acontecendo. E ele não estava falando para nós o que.

fig. 3 Nona, avó do Nikki

Capítulo 2 - Nikki

Capítulo 2

Nikki

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Lembranças de como um bom amor floresceu em um noivado, agradecendo sem medida para um uso de um trovador do antigo truque de dar drogas ao Nikki

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O dia depois que eu voltei pra casa do casamento do Tommy, tinha uma correspondência do nosso contador, Chuck Sapiro, esperando por mim na caixa de correio. “Você tem gastado cinco mil dólares por dia,” ele escreveu. “Cinco mil dólares vezes sete é trinta e cindo mil dólares por semana. Por mês, são cento e quarenta mil dólares. Em exatos onze meses, você estará completamente quebrado, se não tiver morto.”

Antes do casamento do Tommy, eu tinha combinado de manter meu hábito um segredo porque eu dificilmente via o pessoal da banda. A gangue agora tinha se dividido em diferentes casas em diferentes partes da cidade. Nós ainda estávamos fazendo a mesma coisa que nós fazíamos quando morávamos no apartamento juntos: acordar, se drogar, ir dormir e então começar tudo de novo. Mas a diferença era que nós não estávamos fazendo isso juntos. Tommy estava na Heatherlândia, morando em uma casa multimilionária em um bairro privado com seguranças. Ele estava muito animado que um dos seus vizinhos era um investidor que fazia quarenta e cinco milhões de dólares por ano e outro era um advogado que lidava com os principais casos de homicídio. Mas tudo o que eu conseguia pensar era, “Essas pessoas costumam ser nossas inimigas.”

Vince estava ou na cadeira ou saindo da sua casa com donos de boates de strip ou esportistas e homens de negócios sujos. E Mick, ele é muito secretório, ele poderia estar vendendo armas com o Irã ou fazendo pistas de descolagem por tudo que eu sei.

A força de uma banda está na solidariedade dos seus membros. Quando eles se dividem em mundos diferentes, é quando normalmente os problemas e brechas começam e levam a uma separação. O que era legal sobre nós inicialmente era que Vince e Tommy eram garotos de Covina, eu era de Idaho, e Mick de Indiana; nós éramos perdedores sem função que de alguma forma tornaram rock stars. Nós fizemos nossos sonhos tornarem realidade. Mas nós fomos pegos pelo sucesso de tal forma que esquecemos quem nós éramos. Vince estava tentando Hugh Hefner, Tommy pensava que ele era a Princesa Diana com seu casamento de classe alta e novos amigos, e eu pensava que eu era algum tipo de drogado glamoroso boêmio como William Burroughs ou Jim Carroll.

Eu acho que Mick sempre quis ser Robert Johnson ou Jimi Hendrix, apesar de que ele estava bebendo tanto que estava começando a parecer mais com o Meat Loaf.

A realidade caiu sobre mim no casamento do Tommy. Eu estava tentando chutar, sem sucesso, e eu estava fazendo um cu de mim mesmo porque eu não tinha habilidades sociais e não curtia dançar com milionários. Durante a recepção, eu disse para o nosso empresário, Rich Fisher, que eu estava usando um pouco de heroína, como se isso não fosse óbvio. E ele disse pra todo mundo no escritório da gerência. Quando eu não respondi a carta de aviso do Chuck, minha companhia de gerência e um conselheiro chamado Bob Timmons (que tinha ajudado o Vince a ficar sóbrio) apareceram na minha casa e começou uma intervenção. Primeiramente, eu estava chapado. Mas depois de falarem por horas, eles me deixaram pra baixo. Nicole e eu aceitamos a entrar na reabilitação. O lugar era de fato a mesma clinica na Van Nuys Boulevard que o Vince esteve.

Como Vince, eu não estava pronto pra reabilitação. Mas diferente de Vince, eu não tinha perigo da prisão me manter lá. Durante meu terceiro dia, uma gorda, verruguenta ficava tentando me convencer que para ficar limpo eu tinha que acreditar em um poder maior. “Foda-se você e foda-se Deus!” eu por fim gritei para ela. Eu sai do quarto, e ela me seguiu. Eu me virei, cuspi na cara dela, e a mandei se foder de novo. Dessa vez ela foi. Eu fui pro meu quarto, peguei minha guitarra, pulei a janela, e comecei a andar pra Van Nuys Boulevard com a minha roupa de hospital. Eu morava cinco milhas dali: eu achava que eu conseguiria.

O hospital ligou para Bob Timmons e disse pra ele que eu tinha escapado. Ele entrou no seu carro e me pegou na Van Nuys Boulevard.

“Nikki, entre no carro,” ele disse enquanto ele parou ao meu lado.

“Vai se foder!”

“Nikki, está tudo bem. Apenas entre no carro. Nós não estamos bravos com você.”

“Vai se foder! Eu não vou voltar para aquele lugar!”

“Eu não te levarei de volta. Eu prometo.”

“Sabe de uma coisa? Vai se foder! Eu nunca voltarei lá. Essas pessoas são insanas! Eles estão tentando fazer uma lavam cerebral em mim usando Deus e toda essa merda!”

“Nikki, eu estou do seu lado. Eu te levarei pra sua casa, e nós acharemos um jeito melhor de você ficar limpo.”

Eu cedi e aceitei a carona. Nós voltamos para minha casa e jogamos fora todas as agulhas, colheres, e resíduos de droga. Eu implorei para ele me ajudar a ficar limpo sozinho, sem Deus. Daí eu liguei para os meus avós por apoio, porque qualquer sanidade que eu tinha como adulto era graças a eles. Mas minha avó estava doente demais para receber a ligação. Nessa noite, eu escrevi “Dancing on Glass,” lembrando da minha overdose com a linha “Valentine’s in London/Found me in trash.”

Nicole ficou na reabilitação por mais duas semanas. Quando ela retornou para casa como uma paciente depois de tudo, algo estava diferente. Nós estávamos sóbrios. E estando sóbrios, nós descobrimos que nós não gostávamos um do outro tanto assim. Sem a heroína, nós não tínhamos nada em comum. Nós terminamos imediatamente.

Para ficar limpo, eu contratei um assistente chamado Jesse James, que era uma versão de seis pés e cinco polegadas do Keith Richards e que sempre usava um chapéu SS cobrindo o que eu acreditava ser uma peruca. Mas ao longo do tempo, seu trabalho se transformou de babá para companheiro de crime. Ele vinha e trazia drogas pra mim, e como uma recompensa, ele as usava comigo. Nós bebíamos e cheirávamos coca na maioria das vezes. Mas de vez em quando eu injetava um pouco de heroína, pelos velhos tempos.

Como a Nicole tinha ido embora, eu comecei a trocar de garotas como de meias. Jesse e eu ficávamos sentados e assistíamos TV o dia todo, eu tentava escrever algumas músicas para o próximo álbum, e quando isso falhava, nós ligávamos para qualquer garota de Hollywood que nós queríamos transar naquela noite. Mas quando nós tínhamos transado com todas as strippers e atrizes pornô que nós queríamos, nós rapidamente ficamos entediados. Nós andávamos pela vizinhança e jogávamos tijolos nas janelas, mas a diversão acabou rapidamente. Eu decidi que eu precisava de uma namorada. Então nós começamos a pegar as garotas da televisão que nós queríamos sair, imaginando todos os tipos de enredos de encontros engraçados. Tinha uma loira fofinha que era loucura local que nós assistíamos, e eu liguei para ela na estação durante um comercial e falei besteiras com ela. Daí eu a assisti quando ela voltou para o ar para ver se ela parecia agitada ou atrapalhada ou preocupada. Apesar dela nunca aparecer, por alguma razão ela sempre atendia nossas ligações.

Um dia, o vídeo para Vanuty 6’s “Nasty Girl” foi ao ar, em que as três garotas na banda se esfregavam sugestivamente como elas cantavam. Como a protegida de Prince, a líder da banda, Vanity, parecia ter vindo de um mundo muito diferente do meu. “Deve ser legal transar com ela,” eu disse pro Jesse.

“Vá atrás disso, cowboy,” ele disse pra mim.

Eu liguei para a nossa companhia de gerência e disse pra eles que eu queria conhecer Vanity.

Eles ligaram para os seus empresários, e dentro de uma semana eu estava no caminho para o apartamento dela em Beverly Hills para o nosso primeiro encontro. No segundo que ela abriu a porta, ela me fixou com uma louca encarada. Seus olhos pareciam que iam saltar do seu crânio, e eu soube antes dela falar uma palavra que ela estava completamente psicótica. Mas por outro lado, lá estava eu. Ela me convidou para entrar no seu apartamento, que era apenas alguns cômodos misturado com lixo e roupas e artesanatos. Sua casa era cheia de estranhos murais com recortes de revistas, caixas de ovos, e folhas mortas colados a eles. Ela chamada essas coisas de artesanato, e cada um tinha uma história.

“Esse aqui eu chamo de The Reedemer,” ela disse, apontando para uma colagem confusa. “Isso descreve a profecia de um anjo descendo na cidade, porque ele vai vir resgatar as almas presas nas lâmpadas dos postes de rua e os porquinhos irão andar pela rua e as crianças irão rir.”

Nessa noite, nós nunca deixamos o apartamento. Depois de todas as garotas que eu tinha corrompido, era a hora de alguma me corromper. O artesanato, ela finalmente admitiu, era algo que ela fez depois de passar dias freebasing cocaína.

Freebasing?” eu perguntei. “Eu nunca fiz isso do jeito certo antes.”

E então eu me senti dentro da teia de aranha. Preso no feebase, eu perdi o pouco que ficou de autocontrole que eu tinha vindo praticado desde a reabilitação e me tornei um completo paranóico sem função. Uma tarde, tinha algumas pessoas na minha sala, e Vanity e eu estávamos presos no quarto. Nós ligamos o som, que estava ligado a alto-falantes pela casa, e ouvimos música enquanto nós fazíamos um freebase. Enquanto nós estávamos fumando, a música parou e um programa de rádio começou. Eu peguei minha .357 Magnum e dei outra tragada. Enquanto eu guardava o freebase nos meus pulmões, eu gritei para o rádio, “Seus filhos da puta, eu irei atirar em vocês. Dêem o fora daqui.” Eu acho que eu de alguma forma pensei que as vozes que saiam do rádio eram das pessoas que estavam na minha sala, que estava do outro lado da porta. As vozes não pararam quando eu gritei para elas, claro, então enquanto eu expirava uma doce baforada de fumaça branca no ar, eu descarreguei minha .375 através da porta.

18 de jan. de 2011

PARTE SEIS - GIRLS GIRLS GIRLS - Capítulo 1 - Tommy

fig. 1
Festa de lançamento do álbum Girls, Girls, Girls no Body Shop.

PARTE SEIS

>>GIRLS, GIRLS, GIRLS<<

Capítulo 1

Tommy

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Lembranças de como um bom amor floresceu em um noivado, agradecendo sem medida para o uso de um ato do antigo truque de fazer seu pretendente esperar, e esperar, e esperar

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“Oi,” eu disse.

“Oi,” ela respondeu.

“Prazer em conhecê-la.”

“Bom, tchau.”

“Tchau.”

Foi isso, cara. Foi tudo o que nós dissemos. Foi breve, foi embaraçoso, e isso mudou minha vida pra caralho. O lugar era o Forum Club, o evento era um show do REO Speedwagon, a garota era Heather Locklear, e o cara que nos apresentou foi meu contador, Chuck Shapiro.

Chuck, que tinha me levado ao show porque ele também era contador do REO Speedwagon, conheceu Heather porque seu irmão era seu dentista. É desse jeito que as coisas funcionam, por alinhamentos de milhões de acasos. Alguns chamam isso de sorte, mas eu acredito em destino. Eu tenho que acreditar. Eu cometi vários erros com essa garota, e ela continuou saindo comigo.

Eu pensei nela de novo uma semana depois quando eu estava navegando pela TV e vi um episódio de Dynasty com a Heather nele. Eu instantaneamente liguei para o Chuck e implorei pra ele seu número. Ele ligou para o seu irmão dentista e me retornou como um bom amigo.

Na outra tarde, eu respirei fundo, coloquei meus pés em cima do sofá, e liguei pra ela. A conversa foi embaraçosa como a nossa primeira. Minha TV estava no mudo, mas enquanto nós estávamos tendo aquela pequena e inconfortável conversa, eu vi seu rosto aparecer na tela no The Fall Guy. Eu aceitei isso como um sinal que nós pretendíamos ser.

“Ei, liguei a sua TV,” Eu disse a ela. “Você está no canal quatro.”

Ela ligou sua TV. “Hum,” ela me informou, “essa é Heather Thomas.”

Eu quis desligar na hora, pegar uma arma, e atirar na porra da minha cabeça. Deus deixa tudo perfeito para mim, e eu sempre arrumo um jeito de foder tudo.

Ela teve piedade de mim e sugeriu que nos encontrássemos de qualquer forma numa sexta-feira a noite. Eu nunca havia saído com alguém como a Heather antes. Ela não era o tipo de garota que eu poderia levar para a minha van como a Bullwinkle, ou fazer sexo grupal em uma Jacuzzi como a Honey. Ela era uma mulher de verdade, uma boa garota, e mais famosa do que eu – três coisas que eu nunca tinha experimentado em um encontro antes.

Eu estava nervoso pra caralho antes. Eu me arrumei na frente do espelho por horas, espremendo espinhas, penteando meu cabelo, excitado com o meu colarinho, passando colônia estrategicamente pelo meu corpo, e tendo certeza que todas as minhas tatuagens estavam cobertas. Eu cheguei cedo à casa que ela vivia com a irmã e fiquei perdendo tempo lá fora até dar sete horas em ponto. Eu me senti como um macaco treinado do caralho com a minha camisa formal e calças pretas. Eu apertei a campainha, fiquei nervoso, e uma garota que parecia com a Heather abriu a porta. Eu não sabia o que dizer porque eu não tinha certeza se era a Heather ou a irmã dela. Eu acenei timidamente, e entrei, e esperei ela dar algum um tipo de sinal que divulgasse sua identidade. Daí, no topo da escada, eu vi um vestido branco. Agora, aquela era Heather. Ela desceu lentamente, sem uma palavra, como em Gone With the Wind.

Ela olhou de um jeito tão sexy que eu queria correr até ela, atacá-la, e tirar as roupas dela. “Você está linda,” eu disse pra ela enquanto eu gentilmente pegava em seu braço. Sua irmã me observou cuidadosamente, e eu pude senti-la me medindo, determinando se eu era certo para Heather ou era apenas um palhaço.

Nós saímos para comer comida italiana, daí assistimos alguma comédia de merda porque eu pensei que isso era alguma coisa normal que as pessoas fazem em encontros. Nessa noite, nós conversamos sobre tudo. Ela tinha saído com vários caras ricos e irritantes e atores ruins como Scott Baio. Mas ela nunca tinha estado com um roqueiro. Eu posso dizer que isso era um ponto a meu favor depois ela pedir para ver minhas tatuagens. Ela era uma boa garota que fantasiava sobre um garoto mal, e eu sabia que mesmo com o meu colarinho engomado e minha colônia Drakkar Noir não podia disfarçar o fato que eu era um garoto mal.

Nós voltamos para sua casa e bebemos champanhe, mas eu estava muito assustado para fazer um movimento. Eu não queria que ela pensasse depois que eu era apenas um garoto de uma noite ou que estava tentando transar com uma atriz famosa. Pela hora que eu fui embora aquela noite, nós fizemos milhões de planos juntos.

Nós lentamente começamos a sair mais – sair pra jantar, ver filme, ir a festas. No fim das contas eu comecei a passar a noite na casa dela. Mas ela não colocava pra fora, cara. Eu a deixava bêbada e tentava transar com ela de todas as maneiras que eu pude por semanas, mas ela não percorria o caminho todo. Essa é outra coisa que eu nunca tinha experimentado antes, e por causa disso, nós realmente ficamos íntimos e nos tornamos amigos. Ela tinha uma personalidade animada, um ótimo senso de humor, e amava brincadeiras do mesmo tanto que eu. Ela aparecia com flores para mim e eu aprendi a amar isso. Qualquer cara, que disser que ele não gosta de flores é inseguro da sua masculinidade.

Depois de um mês e meio, eu estava tão louco que eu não consegui mais agüentar. Nós finalmente transamos, e ela me fez esperar tanto que eu apreciei cada segundo, porque acreditei em mim, isso apenas permaneceu por segundos. Mas nós fizemos isso de novo e de novo nessa noite até nós termos certeza que estávamos apaixonados, porque quando você está com alguém que você não ama, uma vez é normalmente o suficiente.

Na outra manha, eu estava indo pra sua piscina de cueca quando seu pai parou na casa. Heather se assustou: ela pode ter sido famosa por ter feito uma puta sexualmente agressiva e dominadora na televisão, mas na vida real ela era hipócrita como eles vieram. Ela estava muito preocupada que seu pai, que era o reitor da UCLA Escola de Engenharia, reprovaria se ele visse todas minhas tatuagens. Eu me cobri com toalhas. Mas mesmo tendo uma parte pra fora, seu pai pareceu não se preocupar.

Depois de nós transarmos, a relação foi para outro nível por completo. Um dia, nós estávamos assistindo corrida de dirt-bike na TV que eu disse a ela que eu adoraria experimentar aquilo. No outro dia, tinha uma dirt bike do lado de fora da minha casa. Ninguém – homem ou mulher – tinha feito algo tão generoso para mim antes. Nós estávamos lentamente percebendo que nós queríamos ficar juntos por um longo, longo tempo, talvez até para sempre.

Quando eu a deixei para a turnê do Theatre of Pain, tocando “Home Sweet Home” toda noite, eu sentia alarmes tocando na minha cabeça. Aquilo era o que eu queria a minha vida inteira. Eu queria construir um lar, como meus pais. Eu sempre fui o magrelo alto, andando por L.A. procurando por uma imagem de um pai ou uma mãe. Talvez isso veio do medo que meu analista de sonhos disse que eu peguei da minha mãe: eu tinha medo de ficar sozinho, de não ter comunicação. Conforme a turnê do Theatre ia, mais eu sabia o que eu queria fazer.

Quando eu estava em casa de folga durante o Natal, Heather e eu estávamos dirigindo na Ventura em uma limusine. Eu parei e coloquei a minha cabeça pra fora do teto solar.

“Ei,” eu gritei para a Heather. “Venha aqui e veja isso.”

“O que?”

“Venha aqui!”

“Eu tenho que fazer isso?”

Lentamente, relutantemente, ela se levantou. Conforme a sua cabeça passava pela abertura, e seu corpo pressionado contra o meu, eu perguntei pra ela: “Você quer se casar comigo?”

“O que?” ela disse. “Aqui é alto demais. Eu não consigo te ouvir.”

“VOCÊ QUER SE CASAR COMIGO?”

“Sério?” ela olhou para mim ceticamente.

Eu alcancei meu bolso e puxei um anel de diamante. “Sério.”

“O que?”

“SÉRIO!”

Quando a turnê acabou, nós casamos em um pátio em Santa Barbara. Eu vesti um terno de couro branco e ela vestiu um vestido tomara que caia banco com luvas brancas que começavam no meio do seu braço, deixando seus ombros bronzeados e magros, delicado pescoço descobertos. Era o maior casamento que eu já tinha visto: quinhentos convidados, pára-quedistas caindo carregando grandes garrafas de champanhe, e pombos brancos que voavam no ar após nós dizermos nosso juramento. Rudy, um dos nossos técnicos, nos deu o melhor brinde: “Para Tommy e Heather,” ele disse, erguendo um copo de champanhe. “Talvez todas suas brigas estejam enterradas.” Daí ele pegou o copo de champanhe e esmagou na sua cabeça. Eu dei uma olhada nas mesas que a família de Heather estava sentada, e todos eles olharam como se eles tivessem tido outros pensamentos sobre o casamento.

Foi um dos melhores dias da minha vida. Todos os meus amigos estavam lá, incluindo metade da Sunset Strip. Parecia que todo mundo estava em grandes bandas agora: Ratt, Quiet Riot, Autograph, Night Ranger. O único problema nessa tarde foi Nikki. Eu pedi pra ele ser meu padrinho, e ele fez uma bagunça. Ele estava magro; ele suava constantemente; e sua pele estava completamente amarela, cara. Ele sempre pedia perdão para ir ao banheiro, e daí ele retornava e começava a cochilar no meio da cerimônia. Como um padrinho, ela estava tão drogado de heroína que ele estava sendo inútil. Eu não acreditava que ele estava injetando no meu próprio casamento.


fig 2.
Tommy e Heather Locklear

3 de jan. de 2011

Capítulo 10 - Tommy

Capítulo 10

Tommy

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Uma lembrança de tola curiosidade concluída com apreciação dos espíritos mutantes e humor dos nossos heróis enquanto eles continuavam sua nobre busca.

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Nikki, nosso segurança Fred Saundersm, e eu, ficamos por dois dias direto bebendo, cheirando, e comendo cogumelos. Nós estávamos em algum lugar do Texas. A janela estava aberta e o vendo estava fazendo uma sombra agitada pelo lugar. Daí, de repente, veio um som. Chugachugchugchug chugachugchugchug. Um trem estava passando, cara. E Nikki olhou pra mim. Eu olhei pro Nikki. E nós não precisamos falar nada: nós estávamos numa estranha drogada estação e nossas mentes estavam em total sincronização.

“Vamos embora,” nós dissemos um pro outro – não alto, mas telepaticamente.

Fred leu nossas mentes, e gritou, “Não, não, não!” Mas nós o deixamos na porra da poeira. Nós corremos pelo corredor e entramos no elevador, fazendo o nosso melhor pra deixar Fred em choque porque ele nunca deveria deixar isso acontecer. Nós corremos pelo saguão e enquanto isso, aparando o gramado da frente do hotel. Nós continuamos correndo, o mais rápido que podíamos, até nossos pulmões se sentirem como se eles fossem desmoronar. Fred estava duas centenas de jardas atrás de nós, gritando “Não, seus filhos da puta! Não!”

Mas nós continuamos correndo até nós vermos o trem, se movendo fazendo barulho pelos trilhos na frente de nós, rápido como uma puta. Eu o alcancei até eu estar correndo do lado dele.

“Vamos lá, Nikki! Vamos lá!” eu gritei. Ele ainda estava ofegando atrás de mim. Eu agarrei um pequeno apoio de metal perto da traseira de algum dos vagões e o trem puxou meus pés. Eu balancei minhas botas para um degrau na traseira do vagão, e eu estava livre.

Nikki estava quase alcançando. “Vamos lá, cara. Vamos lá.” Eu gritei. Ele mergulhou e pegou a ponta do degrau que eu estava. O trem estava o arrastando, com seu corpo torcido e seu pé batendo na sujeira. Eu agarrei seus braços e o puxei pra onde eu estava.

“Meu deus, cara! Isso é o melhor!” nós gritamos telepaticamente um pro outro. “Nós acabamos de saltar no nosso primeiro trem!”

E, então, nós vimos Fred e o hotel sumindo pela distância, a emoção tinha acabado. Nós não tínhamos idéia de onde nós estávamos, pra onde estávamos indo, e não tínhamos dinheiro. O trem estava pegando velocidade, se movendo cada vez mais rápido. Nós olhamos um pro outro, aterrorizados. Nós tínhamos que sair daquela coisa. Isso não parecia ter a mínima intenção de parar logo. Nós não podíamos fazer isso: nós tínhamos um show no outro dia.

“Ok. Um, dois, três,” nós pensamos um pro outro. E no três, nós dois saltamos, caindo nas pedras no chão, que deixou machucados, arranhões, e vergões em vários lugares no nosso corpo. Nós seguimos os trilhos de trem de volta pra casa, finalmente chegando ao hotel enquanto o sol nascia.

Antes da turnê do Theatre of Pain, nós nunca deveríamos ter deixado. Nós tínhamos que ter deixado o trem nos levar para o fim do mundo se pudesse. Nós nunca procurávamos pensar sobre alguma coisa antes de fazermos. Nós apenas pensamos sobre isso quando: (A) era tarde demais, ou (B) alguém se machucava.

Mas não era mais assim depois do acidente do Vince. Alguma coisa tinha mudado. Claro, nós continuamos nos divertindo, ficando loucos, fodidos, e socando nossos pintos em tudo. Mas não era a mesma coisa: Foder levava à casamento, casamento à divorcio, divorcio levava à pensão alimentícia, pensão alimentícia levava à pobreza. Tudo estava diferente depois do acidente: nós ficamos conscientes sobre nossa mortalidade – como seres humanos e como uma banda.