6 de jul. de 2010

Capítulo 2 - Vince


Capítulo 2

Vince


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Um dia de público triunfo acaba em uma privada recriminação enquanto nosso herói submete para seus instintos ordinários, quais não devem ser revelados em mais detalhes nesta breve sinopse pelo medo de viciar leitores jovens.

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Este foi o dia que a new wave morreu e o rock and roll tomou o comando: 29 de maio, 1983. O segundo dia de três do US Festival.

Circulando sobre centenas de milhares de pessoas em um helicóptero – o primeiro helicóptero que eu estive – parecia que o povo da Sunset Strip na sexta-feira e no sábado a noite tinha sido transportado de repente para um campo no meio do nada em uma tarde quente de primavera. Ozzy Osbourne, Judas Priest, Scorpions, e Van Halen estavam se apresentando na frente de trezentas mil pessoas. E nós também.

Toda cidade na América deve ter desenvolvido seu equivalente na Sunset Strip. Não era mais apenas uma coisa underground. Isso era um movimento em massa, e finalmente nós encontramos a postos uma nova nação no mapa. Olhando para baixo do helicóptero, com uma garrafa de Jack na minha mão esquerda, uma bolsa de pílulas na minha mão direita, e uma cabeça loira subindo e descendo no meu colo, eu me senti como o rei do mundo. Isso durou por um segundo. Daí eu fiquei assustado pra caralho.

Nós tínhamos apenas um álbum, e tínhamos apenas encostado no topo das paradas no número 157. Muitas dessas pessoas não nos conheciam. Eles estavam excitados o dia todo, e provavelmente nos odiariam porque eles estavam impacientes pelo Ozzy e Van Halen.

Eu dei outro gole no Jack enquanto nós pousamos e conhecemos nossos novos gerentes, Doc McGhee, que era basicamente um viciado em bons negócios, e Doug Thaler, seu homem positivo. O cara que tinha nos assinado com a Elektra, Tom Zutaut, estava lá com a sua namorada, uma garota gostosa e surpreendente considerando a sorte de Tom com mulheres. Eu fui para o camarim para fazer minha maquiagem e colocar minhas roupas, e vi o que eu podia fazer com a fila de garotas e repórteres esperando do lado de fora. Depois do que parecia ser apenas alguns minutos, houve um bater frenético na porta.

“Você tinha que estar no palco dez minutos atrás,” Doc berrou. “Sai daí.”

Quando nós tocamos “Shout at the Devil”, eu soube que nós tínhamos conseguido. Eu não tinha nada para me preocupar. Essas pessoas nunca tinham ouvido a música antes: nós nem tínhamos começado gravar o álbum direito. Mas no fim, eles estavam cantando junto, erguendo seus punhos para o ar. Eu observei e cada palavra que eu cantava, cada pancada na guitarra que o Mick dava, a multidão agitava em resposta. Eu entendi daí porque rock stars tem um ego tão grande: do palco, o mundo é um anônimo, uma merda, uma multidão obediente, muito longe do que os olhos podem ver.

Mick deixou o palco primeiro e voltou para o trailer que duplicava nosso camarim. Sua namorada estava esperando ele lá dentro, quem nós chamávamos de A Coisa, uma morena medíocre cujas mangas enrolavam no seu cotovelo. Assim que ele entrou na porta, após tocar no maior show da sua vida, ela o puxou e socou diretamente no rosto sem nenhuma explicação. (Voltando em Manhattan Beach, ela às vezes ficava bêbada, batia nele, e o jogava pra fora da casa, depois Nikki ou eu recebíamos um telefonema desesperado do Mick perguntando se podíamos pegá-lo na entrada da sua casa.)

Mais tarde para mim tinha álcool, drogas, entrevistas, e garotas. Eu me lembro de estar saindo do palco e ter visto a namorada do Tom Zutaut, que tinha ficado apenas com um biquíni de leopardo porque estava muito quente lá fora. Eu a agarrei, passei meu rosto suado contra ela, e soquei minha língua na sua garganta. Ela espremeu meu corpo contra o dela e mordeu minha língua.

Eu a levei de volta para o trailer – passando pelo Mick, que estava sentado nos degraus segurando sua cabeça entre as mãos – e enterrei minha cara no meio dos peitos dela. Daí, houve uma batida na porta e uma voz estridente falando, “Hey, é o Tom. Posso entrar?”

“O que você quer?” eu perguntei, preocupado se ele tinha me visto.

“Eu apenas quero te dizer que vocês foram e-e-exelentes. Esse foi o melhor show que eu já vi de vocês.”

“Obrigada, cara,” eu disse. “Escuta, eu sairei em um minuto. Eu só preciso de um tempinho para relaxar.”

Daí eu arranquei o biquíni dela e meti nela enquanto ele esperava do lado de fora.

Nikki ficou furioso quando eu contei pra ele o que eu tinha feito. “Seu idiota do caralho!” el

e gritou. “Você não consegue segurar seu pinto? Esse cara nos contratou. Se ele descobrir, ele usará isso contra nós e vai foder com o nosso álbum novo.”

“Desculpa,” eu respondi. “Mas isso só se ele descobrir.”

fig. 1

4 de jul. de 2010

(continuação 5) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Eu fui a casa deles uma noite para discutir com o Nikki sobre mudar o titulo. Quando eu entrei, ele e Lita estavam grudados no sofá. “Eu estou um pouco assustada,” Lita disse. “Coisas estranhas estão acontecendo no apartamento.”

“O que você quer dizer?” eu perguntei, olhando em volta para o as recentes pinturas de pentagramas e umas pinturas góticas que o Nikki tinha feito nas paredes e no chão.

“Coisas estranhas apenas acontecem,” ela disse. “As portas dos armários ficam abrindo e fechando, tem uns barulhos estranhos, e coisas ficam voando pelo apartamento sem razão.”

“Escuta, Nikki,” eu disse. “Você tem que parar de zoar com esse livro de magia negra de merda. São coisas poderosas, e se você não souber o que está fazendo, não brinque com isso.”

Mas Nikki não ligava pra isso. “Não é nada,” ele disse. “Apenas parece ser legal. Esses símbolos insignificantes e merdas. Eu estou fazendo isso apenas para fazer as pessoas se irritarem. Não é como se eu estiver venerando Satan ou algo assim.”

Eu sabia que eu não podia mudar sua cabeça, então eu fui embora. Quando eu voltei duas noites depois, tinha garfos e facas enfiados na parede e no teto, e Nikki e Lita pareciam mais pálidos e doentios do que o normal.

“Que merda que vocês estão fazendo?” eu perguntei.

“Nós não estamos fazendo nada, cara,” Lita disse. “Eu tentei dizer para você: coisas estão voando por aqui sozinhas.”

Após ela falar isso, eu juro por Deus, eu vi aquilo com os meus próprios olhos, uma faca e um garfo saíram da mesa e cravaram no teto exatamente acima de onde eu estava sentado. Eu olhei para o Nikki e me assustei. “Não existe mais ‘Shout with the Devil. ’ Se você quiser continuar mexendo com o diabo, você será morto.”

Você pode acreditar no que você quer, mas eu realmente acreditava que Nikki estava sem saber recorrendo a algo satânico, alguma coisa mais perigosa do que ele pudesse controlar que estava à beira de machucá-lo seriamente. Nikki deve ter percebido a mesma coisa, porque ele decidiu mudar o nome do álbum para Shout at the Devil. Desde aquele dia, aquele incidente permanece como um das coisas mais bizarras que eu já vi na minha vida.

Felizmente, logo eu conheci um agente reservado chamado Doug Thalet, e ele conhecia um cara, Doc McGhee, que tinha muito dinheiro e queria começar uma empresa de gerenciamento. Doc era um carinha charmoso que sabia como dizer as coisas certas. “Nós iremos fazer Mötley Crüe ser a maior banda de rock n’ roll do mundo,” ele disse. “E qualquer quantia que a Elektra não der para fazer isso acontecer, eu darei.”

Tudo parecia perfeito: Mötley Cüe tinha dinheiro, eles tinham um cara chamado Barry Levine ajudando-os com a sua imagem, e eles se tornaram a prioridade da empresa. Graças a manipulação máxima do Doc, grande imaginação, e presentes por debaixo da mesa, Nikki estava finalmente à beira de mudar sua rebelião do Whisky para os estádios. Mas, claro, nada acontecia para esses garotos sem esforço.

Eu acordei umas semanas depois para saber que Joe Smith tinha sido despejado e um cara chamado Bob Krasnow estava administrando a empresa. Ele despediu Tom Werman e o substituiu com Roy Thomas Baker, o que era legal porque agora tinha mais razões para ir às festas RTB e Werman continuava querendo produzir a gravação. Mas enquanto estávamos ficando prontos para gravar, Krasnow voou para Los Angeles e chamou Werman e eu para um encontro.

“Rock n’ Roll não está rolando,” ele nos disse. “Eu decidi que eu não quero nenhuma banda de rock na empresa. Eu não irei aceitar Ozzy Osbourne se vocês não me derem ele de graça em um prato de prata.”

“Por que você quer que caia um grupo que está vendendo um monte de discos? Isso não faz sentido nenhum, Bob!”

“Está é a Elektra Records, Tom,” ele disse. “Nós temos uma tradição de bem, talentos como Linda Ronstadt, the Doos, e Jackson Browne. Eu não estou na área do circo. E eu não estou dando a eles um centavo.”

“Seus gerentes estão dispostos de tomar contar de parte da promoção e dos custos das turnês.”

“Escuta,” ele disse. “O grupo é terrível. Eu vi o vídeo deles e isso é embaraçoso. Eu tenho que tirar isso da MTV.”

“O que?! Nós conseguimos uma turnê com o Kiss. Você não pode fazer isso.”

“Eu fiquei sabendo disso, e cancelei as datas.”

Eu liguei para Doug Thaler e Doc McGhee para se encontrarem com Krasnow, e ele disse a eles a mesma coisa. Eles responderam perguntando a ele o que ele precisava para liberarem Mötley Crüe do seu contrato com a Elektra.

“Eu irei dizer o que,” Krasnow cedeu. “Você fará o melhor disco que você pode fazer. Não se preocupe com o dinheiro, mas mantenha o orçamento razoável. Eu não irei te prometer que eu irei lançá-los, mas eu irei prometer a você que eu irei deixar isso mais fácil para você chegar a algum lugar.”

Se eles deixassem que isso caísse e perdesse o ímpeto eles teriam que fazer alguma coisa, esse provavelmente seria o fim do Mötley Cüe. Mas felizmente algo aconteceu para mudar a cabeça de Bob. E essa coisa foi o US Festival. Menos de um ano mais tarde, Krasnow estava com uma bandana do Mötley Crüe no Madison Square Garden, apresentando a banda com prêmios de ouro e platina para a venda dos álbuns.

3 de jul. de 2010

(continuação 4) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Quando a Elektra lançou o Too Fast for Love, foi um desastre. A prioridade para a empresa era uma banda australiana chamada Cold Chisel, e todo mundo no departamento de promoção estava atentado em fazê-los a próxima grande coisa. Aconteceu de eu ouvir uma conferência por telefone, quando eu ouvi “Escuta, eu tenho uma estação em Denver e outra em Colorado Springs que acabaram de acrescentar Mötley Crüe. Eles não estão interessados na Cold Chisel, mas nós continuaremos trabalhando neles.”

“Eu não dou uma merda pelo Mötley Crüe,” o departamento da rádio berrou de volta. “Eles não são uma prioridade. Eu não quero adicioná-los. Fale pra essas estações que se elas querem acrescentar o Mötley Crüe, eles que vão se foderem.”

Quando eu ouvi isso, eu tive um ataque de raiva. Era ruim o suficiente que a empresa não estava ajudando o Mötley Crüe, mas eles estavam tentando prejudicá-los. Então eu explodi com Joe Smith. Por causa desse incidente e vários outros semelhantes, o chefe foi substituído. Mais ou menos na mesma hora, Tom Werman veio para a empresa como o novo chefe da A&R. Werman tinha produzido o primeiro álbum do Ted Nugent e algumas das melhores músicas do Chip Trick, e ele estava louco pelo Mötley Crüe que ele insistiu em produzir nossa próxima gravação. Ele e Nikki estavam em grande sintonia: Nikki queria uma imagem de bad-boy, mas ao mesmo tempo tinha senso popular e queria que sua música atingisse o objetivo final, que era o que Werman tentava fazer com as bandas que ele produzia. Apesar dos melhores esforços do departamento de promoção para sabotar por alguma razão misteriosa, Too Fast for Love acabou vendendo mais de cem mil cópias, através da palavra da boca de todos. Eu não sabia o que fazer porque a banda tinha um acordo com uma gravadora importante, tinha vendido uma quantidade respeitável de álbuns, podia vender tudo nos clubes de L.A., estavam sendo falados na indústria, e estavam começando a escrever seu segundo álbum, mas eles não tinham um gerente e estavam todos quebrados e famintos. Eu tentei cuidar deles o máximo que eu pude.

Quando eu tinha dezesseis anos, Lita Ford era a garota que eu sonhava: uma gata roqueira. Tinha pôsteres dos Runaways pelo quarto todo na casa dos meus pais. Agora, cinco anos depois, eu assinei com o Mötley Crüe, e Nikki Sixx estava morando com uma dos Runaways. E não apenas eu estava saindo com eles, como também dando dinheiro e comida para eles. Eu passava pela casa do Nikki e da Lita quando eu podia levar para eles sorvete Häagen-Dazs ou um sanduíche da Subway. As pessoas falavam que eles brigavam como cães e gatos, mas eles eram sempre legais para estar junto. O tempo se passava, de qualquer forma, a casa continuava a ficar horripilante. Eu fui fazer uma visita e vi o The Necronomicon, um livro preto de magia negra, na mesa. Nikki estava pegando pesado em coisas satânicas e queria chamar o disco Shout with the Devil. Isso era constrangedor para a empresa, e era constrangedor para mim. Eu sabia que o departamento de promoção poderia usar o titulo como uma desculpa para ignorar completamente o álbum.

29 de jun. de 2010

(continuação 3) Capítulo 1 - Tom Zutaut

RTB, como a gente o chamava, era um cara que tinha grande prazer em fazer a festa perfeita. De quinta-feira a noite até domingo, tinha uma parada infinita de pessoas interessantes, mulheres bonitas, álcool, e outras coisas de festa na sua casa. Este era o último sistema de trancas disponível nas colinas na Sunset Drive, das configurações do controle remoto na sua cama para o grosso carpete. O céu era o limite lá: vinte pessoas peladas dentro da Jacuzzi, comidas sendo engolidas dos copos das mulheres, e qualquer coisa que você, eu, ou Calígula possa imaginar. Mötley Crüe e RTB eram uma combinação perfeita.

Eu sempre me sentia de fora, como um garoto de Chicago que tinha de alguma forma sido transportado para esse glamuroso filme onde eu encontrava todos os meus rock stars favoritos – Elton John, Rod Steward, e os caras do Queen, Journey, e Chip Trick. Algumas festas eram tão loucas que RTB podia apertar estes botões e trancar todo mundo lá dentro. Desse jeito, se alguém quisesse ir embora, eles tinham que pedir permissão para um guarda que teria que ter certeza que eles não estariam bêbados para dirigir. RTB era um cara esperto. Ele sabia que se ele iria facilitar essa bagunça, ele precisava diminuir os acidentes que ele poderia ser responsável, e vendo o estado que alguns convidados estavam, ele provavelmente salvou muitas vidas.

Quando nós acabamos de mixar o Too Fast for Love, Coffman de repente decidiu mandar a banda para uma turnê no Canadá, mesmo não tendo nenhuma gravação para divulgar. Nós protestamos e dissemos para ele que ele estava sendo inútil, mas Coffman era determinado.

Nós nunca entendemos porque Coffman fez a banda fazer uma turnê no Canadá até a verdade vir mais tarde: ele tinha vendido uma parte da sua participação na banda para um cara Michigan chamado Bill Larson, que tinha herdado a herança de seus pais – mais ou menos vinte e cindo mil dólares – então ele poderia ter cinco por cento do contrato do Mötley Crüe. Ao invés do Coffman juntar o dinheiro, ele teve que mandar a banda para o sul para fazer uma turnê. Então a banda foi para o Canadá para embarcar em uma miserável, desastrosa viagem com um ajudante que eles nunca tinham ouvido falar ou encontrado antes. Lá tinha bombas, problemas de bordo, esmurradores, jogadores de hóquei viciados, quebradores de ossos (principalmente Coffman), e policiais parados do lado do palco para ter certeza que o público não mataria a banda.

Logo depois, Coffman desapareceu, junto com a Elektra e com o cara Michigan rico. Possivelmente ele voltaria porque a banda começou a fazer muitas perguntas sobre onde o dinheiro tinha ido – dinheiro que ele provavelmente achava que tinha merecido depois de hipotecar sua casa três vezes para pagar todos os aluguéis de carros e quartos de hotel e vai saber Deus o que mais que a banda tinha danificado. No fim das contas, a pessoa que mais se machucou foi Bill Larson, cujo pai morreu de um ataque no coração por causa de estresse. Larson processou, embora ninguém conseguisse achar Coffman para atender a intimação.

A partir do que eu ouvi, a esposa do Coffman tinha se divorciado dele, seus filhos pararam de falar com ele, e ele se tornou cristão de novo.


26 de jun. de 2010

(continuação 2) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Quando ele não apareceu após vários minutos, Mick me pediu para ir ver o que tinha acontecido. Eu sempre pensei sobre o Coffman como se ele fosse de acordo com as regras que servia como uma babá para essa banda louca, então eu fiquei em choque quando eu o encontrei arrancando um telefone público da parede do banheiro. Eu o peguei e mandei alguém da imprensa da Elektra ficar de olho na banda e botar ordem enquanto eu levava Coffman para casa no meu carro batido.

Enquanto estávamos indo para o norte na La Cienega, ele continuou tentando arrancar a maçaneta da porta do carro. Apenas quando nós chegamos ao centro da Santa Monica Boulevard, ele abriu a porta e rolou do carro para o meio do cruzamento. Eu olhei para trás e o vi entre as faixas de trânsito, arrastando sua barriga como um soldado em um rifle. Carros passavam por ele, buzinando e berrando, e pareceu que alguns segundos antes alguém poderia esmagá-lo. Eu parei o carro, corri, e o peguei. Ele começou se girar para mim e me amaldiçoar como se eu fosse um soldado vietnamita do norte tentando capturá-lo como um prisioneiro da guerra. Eu pensei que ele poderia me matar, mas através de um surto de adrenalina eu consegui levar ele de volta pro carro e para o seu quarto de hotel.

Na hora que eu voltei pro restaurante, a festa se mudou para outro lugar. Uma semana depois os nomes no contrato foram finalmente assinados, e a banda insistiu em fazer a gravadora pagar por outra festa. Então eu juntei nossa companhia de carros e levei a banda para Benihana na La Cienega. Isso começou com uma janta gentil, com o chefe de cozinha mostrando seus truques com sua faca. A banda comeu um pouco e bebeu muito. Vince, claro, estava bebendo o mais forte. Eu percebi que seu copo de margarita estava quebrado, então ele pediu outro. Quando eu olhei pra ele de novo, o novo copo estava quebrado e ele estava insistindo para substituírem. A garçonete perplexa trouxe pra ele de novo outro drink, examinando o copo cuidadosamente para ter certeza que não havia lascas ou cacos. Logo depois que ela saiu de perto, Vince colocou o copo na sua boca e o mordeu, despedaçando a beirada do copo. “Esse cara é maluco,” eu pensei. “Ele pode cortar sua língua ou rasgar sua boca em pedaços.”

Vince levantou, fez um sinal pra garçonete, e a acusou de ter dado um copo quebrado pra ele de propósito. Ela jurou que o estava tudo certo com o copo quando ela deu isso a ele. Daí ela se virou para mim para dar uma satisfação. Eu não queria meter ela ou o Vince em problemas: “Talvez a máquina de lavar louça esteja quebrada,” eu me expressei fracamente.

Então ela trouxe outra margarita pra ele e voltou para balcão com o gerente espionando Vince. Sem saber que ela estava observando, Vince afundou seus dentes do copo de novo. Instantaneamente, o gerente veio e tentou nos tirar do restaurante enquanto a garçonete ligava para a polícia. Eu rapidamente fechei a conta e terminei com a festa.

Várias noites eram como essa com a banda: ou alguma coisa estava pronta pra ser quebrada ou alguém iria desmaiar. Nada era fácil com eles. O diretor da A&R na Elektra, Kenny Buttice, estava furioso que eu tinha passado por cima dele e ido pedir permissão do Joe Smith para contratar a banda. Então ele fez tudo o que ele pode para dificultar minha vida. Nós estávamos relançando o álbum Too Fast for Love que eles tinham lançado, mas Buttice convenceu a empresa que a qualidade não estava boa para o modelo padrão de uma rádio e o único jeito que conseguir isso era remixando.

Eu era contra isso e a banda estava nervosa, mas se remixássemos o álbum faria a banda ser uma prioridade na Elektra, nós estaríamos dispostos a tocar adiante. Quando eles escolheram Roy Thomas Baker para revisar a gravação, eu praticamente molhei minhas calças. Aqui eu estava, com vinte anos, encontrando o excêntrico rebelde Britânico que tinha produzido Queen, Foreigner, os Cras, Journey, e todas essas outras gravações do caralho. E durante seu último minuto mixando, escalando, e produzindo uns truques longe do charme do álbum original do Mötley, eu aprendi muito observando ele trabalhar e ouvindo suas histórias. Depois de a banda ter passado o dia no estúdio, ele normalmente os convidava para ir a sua casa, onde eles ficavam cheirando cocaína do seu piano Plexiglas enquanto ele contava a eles sobre a época que Freddie Mercury compôs “Bohemian Rhapsody” naquele piano enquanto ele recebia um boquete.

21 de jun. de 2010

(continuação) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Antes de eu ficar seriamente com o Mötley Crüe, eu queria ter certeza se eu não estava passando dos limites na Elektra. Eu perguntei no A&R Departament se eu poderia assinar a banda, e eles riram na minha cara. Mas eu fui persistente. Eu coloquei uma pasta com todas as cartas do A&R Departament rejeitando todas as bandas que eu tinha trazido para eles que continuaram a ter hits em outras gravadoras. Ao urgir de meu chefe no departamento de vendas, eu apresentei as cartas para Joe Smith, o presidente da Elektra, que, para minha surpresa, se mostrou a altura das circunstâncias. “Ok, vá em frente cara,” ele disse para mim. “Você pensa que pode fazer isso? Tudo bem. Então vamos assinar essa banda e ver o quão bom você realmente é.”

Eu era o alvo de riso de Hollywood por contratar esses caras. A música que era popular na época era New Wave Britânico – Haircut 100, A Flock of Seagulls, Dexy’s Midnight Runners. Garotos atualizados curtiam Elvis Costello, The Clash, e outras bandas indo atrás do fim do movimento punk. Todos continuaram rindo de mim por tentar assinar uma banda de metal. Eles vinham até mim no trabalho e diziam, “O que você está pensando? Isso não irá tocar na rádio. Você não pode reinventar Kiss.” Mas eu acreditava na Mötley Crüe. Você não precisa de ouvidos para ser um bom explorador; você precisa de olhos.

Então, na minha minúscula conta de departamento de vendas, eu comecei a entreter e recepcionar o Crüe, que eu penso que só apareceu pela comida grátis. Durante cada refeição, Tommy se mexia loucamente – como no palco, ele não conseguia ficar quieto; Mick se tornava mais demoníaco a cada drink, até ele começar alucinar e ver Purple People Eater; e Vince normalmente metia na garçonete no banheiro. Nikki era o único que se encontrava sério: ele tinha traçado cada passo do futuro da banda em sua cabeça. Ele sabia que a galera estava cansada de new wave, que eles estavam furiosos pelo punk ter se acabado, e que eles estavam extremamente chateados com Fleetwood Mac e Foreigner e Light FM Pop. Ele queria expandir esses quinhentos garotos no Whisky em uma revolução do Rock n’ Roll que o Mötley Crüe estava iniciando. E ele fez isso. Mas não sem dificuldades.

Quando nós estávamos finalmente prontos para fazer um acordo, a Virgin Records apareceu com dinheiro para gastar. Eles se encontraram com a banda e levaram uma pasta cheia com dez mil dólares em dinheiro para enfiar na cara deles. Virgins naquela época não tinha uma gravadora ou uma distribuidora na América. Eles operavam na Inglaterra e eles usavam isso para tentar seduzir o Mötley Crüe, falando pra eles que eles podiam ser como os Beatles, os Rolling Stones, e Led Zeppelin e pararem a América por conseguir ser conhecidos na Inglaterra primeiro. Eu acho que isso foi um desejo e tanto para a banda – isso e o afrodisíaco dez mil dólares em dinheiro antecipado do acordo de mil dólares.

No fim, mesmo a Virgin oferecendo mais ou menos vinte e cindo mil dólares a mais do que a gente, a banda decidiu que seria mais inteligente para uma banda de rock de Los Angeles fazer um contrato com uma gravadora de rock de Los Angeles (nenhum de nós sabia que a Elektra logo seria transferida para Manhattan). Depois de nós termos criticado nossos pontos finais e aceitarmos fazer o acordo, Coffman, a banda, algumas pessoas da equipe da Elektra e eu celebramos na Casa Cugat, um restaurante mexicano comprado pelo rei rumba Xavier Cugat. Mötley Crüe não precisou de muito para começar uma festa depois disso, então as coisas foram totalmente rápidas.

A coisa estranha, embora, era que eu esperava loucas palhaçadas da banda, não do seu irritado gerente. De qualquer forma, ele ficou tão bêbado que ele começou a falar vietnamita como se ele fosse um soldado do Vietnã. Ele se convenceu que lá tinha vietcongues escondidos atrás das mesas e depósitos de munições na cozinha. Ele engoliu outra dose, daí correu para o banheiro.