15 de ago. de 2010

Capítulo 6 - Nikki

Capítulo 6

Nikki

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Doces lembranças de viagens com Van Halen, AC/DC, Iron Maiden, e outros gentis viajantes de estranha reputação.

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Quando nós deixamos a turnê do Ozzy para fazer alguns shows próprios, trazendo junto o Ratt para uma animação extra, o mundo – nosso mundo – não era mais o mesmo. Eu ouvia “Shout at the Devil,” “Too Young to Fall in Love,” e “Looks that Kill” em todo lugar; tinha histeria a qualquer hora que nós fossemos nas lojas de discos para assinar álbuns; e quando nós fazíamos shows em cidades que nunca tínhamos ido antes, milhares de garotos iam ver. Nós estávamos em um novo mundo – o que eu sempre quis estar desde que eu vi o primeiro show de rock no ginásio em Jerome. Mas eu era apenas um garoto de Idaho. Eu não sabia o que fazer nesse novo mundo ou como agir. Então eu improvisei.

Depois de um show no Bronco Bowl no Texas, uma loira e uma morena com calças coladas e tomara-que-caia foram ao backstage antes do show e disseram que queriam dar para a banda inteira. Vince ou eu tivemos a grande idéia de dizer para elas que teriam que dar duro para isso. Nós pegamos uma garrafa de champanhe da mesa de hospitalidades, e dissemos para a morena que se ela queria transar com a gente, ela tinha que pegar a garrafa e sentar nela no meio do cômodo.

“Se você não estiver sentada na garrafa quando nós voltarmos, você não poderá dar para a banda,” Vince disse enquanto nós entrávamos no palco para tocar.

Depois do show, ela ainda estava lá, agachada no meio do cômodo.

Vince foi pro escritório da produção para ser chupado por outras duas garotas (simultaneamente), então nós pegamos as duas garotas com calças coladas e colocamos na van.

Vince e Tommy ficaram com o banco da frente, e Mick e eu sentamos atrás. As garotas subiram no banco da frente com Vince e Tommy e arrancaram suas roupas, o que demorou uns cinco minutos porque elas eram muito apertadas. Na hora que elas ficaram sem nada, Vince e Tommy já estavam metendo nelas estilo cachorrinho.

As garotas estavam curvadas em cima do banco, então a loira grudou nas minhas calças enquanto metiam nela enquanto a morena fazia o mesmo com o Mick. Elas pegaram e abriram nossos zíperes até estarem nos chupando.

Quando nós chegamos ao hotel, nós dissemos pra garotas que elas tinham que permanecer peladas. Pegamos o elevador para o quarto do Vince e do Tommy, e começamos a beber e ficarmos retardados. A loira estava sentada com as suas pernas abertas na cama, e isso nos deu idéias.

Tommy veio do banheiro com um tubo de pasta de dente, então nós a enchemos até o talo primeiramente. Daí nós percebemos que não era justo deixá-la com pasta de dente e não com escovas de dente. “O que mais nós temos?” Tommy perguntou.

“Quem sabe a porra do telefone?” alguém, provavelmente eu, sugeriu.

Nós pegamos o fone do gancho e enfiamos até que o bocal estivesse saindo. A garota sentada lá ria o tempo inteiro, gemendo ocasionalmente, porque ela estava excitada ou porque ela queria que nós pensássemos que ela estivesse.

“Estou com fome,” Mick, que estava observando entediado de uma poltrona, resmungou.

Nós o mandamos se foder, daí percebemos que talvez pudéssemos fazer um acordo. Eu liguei para o serviço de quarto e, de repente, enquanto a loira abria as pernas, nós ouvimos uma voz abafada: “Oii, serviçussss de quartuu.”

Eu me curvei e fiz nosso pedido dentro da genitália da menina.

“Quaall quartuuuu?”

“Quarto dois-dois-sete,” eu respondi.

A morena começou a rir. De repente, Vince, teve uma idéia, e se virou para ela. “Do que você pensa que ta rindo?”

Ela parou e olhou para ele pálida. “Sua mãe sabe onde você está?” Vince perguntou.

“Não,” a garota disse.

“Você não acha que ela está preocupada com você?”

“Talvez. Não sei.”

“Talvez você deva ligar pra ela.” De repente caiu nossa ficha sobre o que Vince estava tramando. “Qual é o número dela?”

Ela passou o número pro Vince, e ele discou. Sua mãe atendeu e a morena se curvou na genitália da sua amiga. “Oi mãe. Eu to ligando para falar que eu logo estarei em casa. Eu to na Sherry agora. Ok? Obrigada.”

Nós não perdemos o respeito pelas garotas naquela noite, nós perdemos o respeito por nós mesmos.

Quando eu voltei para L.A., minha meia-irmã, Ceci, me ligou e disse que minha mãe tinha ficado louca e tinha sido levada para uma instituição mental em Seattle. Eu não falava com a minha mãe desde que eu a deixei no terminal de Greyhound seis anos atrás e, embora eu ainda estando com raiva e amargurado, eu me senti como se eu precisasse ver ela de novo, para me conectar com algum elemento do passado antes que eu perdesse tudo isso. Então eu peguei um avião para Seattle, entristecido com o fato de nós nos reunirmos em um hospício. Esses seis anos não devem ter sido bons para ela. Antigamente, ela tinha tudo: visual, talento, e inteligência. Mas agora ela parecia mais com o Ozzy do que com a minha mãe. Eu corri até ela e parei um pouco antes de abraçá-la. Ela me olhou e a primeira coisa que saiu da boca dela foi, “Você escreveu aquela música sobre mim?”

“Qual música?” eu perguntei, confuso.

“Looks That Kill!”

Eu estava atrapalhado: tinha muitas coisas que eu queria dizer para ela, muitas coisas que eu queria que ela me dissesse. Mas essa não era uma delas. Eu paguei a conta de lá, e a coloquei em um táxi, e a levei para a casa da minha irmã. Nós dificilmente nos falamos o tempo todo. Ambos éramos orgulhosos e teimosos para explicar ou desculpar por alguma coisa. Enquanto nos sentávamos na sala de estar da minha irmã, lembrando da merda que cada um fez, lançando olhares malignos enquanto minha irmã estava perto, discordando de nós dois, eu lembrei o porquê eu fui embora em primeiro lugar. Eu apenas não pertencia àquele lugar. E então eu levantei, fui embora, e peguei o primeiro avião para Los Angels, voltando para a relativa sanidade dos meus traficantes de drogas.

10 de ago. de 2010

Capítulo 5 - Tommy

Capítulo 5

Tommy

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Uma showgirl da região sudeste aprende que uma mente ciumenta leva a uma exorbitante conta no dentista.

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Alguém me disse que lá teria atrizes se divertindo naquela festa em Hollywood. Então você sabe que eu estava lá. Foi assim que eu conheci a Honey. A primeira coisa que eu notei – a primeira coisa que eu sempre noto – foi que ela tinha tetas enormes. Ela tinha um corpo incrível com as curvas de uma modelo de lingerie – qual, claro, ela era. E ela tinha um rosto bonito, mas isso não era exatamente agradável e delicado – era coberto não com cicatrizes físicas, mas com emocionais. Eu fui ao banheiro com ela para cheirar um pouco de cocaína, e a próxima coisa que eu soube é que eu estava saindo do banheiro dela na outra manhã.

Esse deveria ter sido o fim daquilo. Mas, cara, eu sempre faço besteira: eu sou muito aberto, muito fácil de levar, sempre pronto para me apaixonar toda hora. Eu fiquei obcecado pela Bullwinkle porque ela podia gozar como um cavalo de corrida, e eu me lancei para Honey porque ela era uma modelo de lingerie e eu era tão chato que como uma modelo de verdade poderia vir falar comigo. Mas eu nunca dei um passo para trás para perceber como elas realmente eram: loucas pra caralho, cara.

Como Bullwinkle, Honey era extremamente ciumenta. Uma noite no Troubadour, uma garota andava atrás de mim e beliscou minha bunda. Sem parar pra perguntar, Honey se virou e enfiou o cigarro dela na porra do olho da garota. Então Honey a pegou de lado, torceu o braço dela para as costas, e o quebrou. “Vamos ver se você o belisca agora”, ela cuspiu e saiu andando. Eu vi a garota no Rainbow cerca de duas semanas depois. Ela estava tão assustada que nem disse oi.

Então, o que eu poderia fazer depois dessa, cara? Eu me mudei com Honey. Nós encontramos um condomínio na Gower Street em Hollywood. O dia que eu trouxe meu primeiro disco de ouro e platina do Shout at the Devil, ela ficou com ciúmes da foto de alguma garota que ela encontrou e arremessou um prato em mim, que acertou a caixa que o disco de ouro estava e o quebrou.

Eu nunca senti ciúmes como ela. Numa das festas do RTB, nós estávamos todos sentados em volta da Jacuzzi. Ela começou a me chupar, então eu disse pra ela chupar o pinto do RTB. Eu pensei que era um bom negócio: fazer um favor para o produtor. Claro, eu estava tão fodido que eu nem lembrei que ele não tinha interesse numa merda como aquela. Ele nunca pareceu se importar com garotas ou drogas em suas festas. A única vez que eu fiquei irritado foi durante a turnê do Ozzy. Nós estávamos no Buffalo, e eu estava eufórico porque tinha visto neve pela primeira vez na minha vida. No backstage, um fã veio e me disse, “Hey, cara, sua esposa tem uma boceta gostosa. Você é um cara de sorte.”

“O que você disse?”

“Eu disse que sua esposa tem uma boceta da hora.”

Eu não sabia de que porra que ele estava falando, mas isso parecia ser um insulto direto. Então eu balancei e dei um soco do lado da sua cabeça. Ele caiu no chão inconsciente. Aquilo foi bom, um golpe sólido, e eu estava orgulhoso daquilo. Nós esperamos no ônibus da turnê enquanto nosso empresário, Doug Thaler, conversou com o garoto e tentou convencê-lo de não dar queixa na polícia.

“O isso tudo significa?” eu perguntei pro Doug quando ele subiu para o ônibus. Eu fiquei sabendo que Honey tinha vendido fotos nossa transando para uma revista chamada Celebrity Sex, e não me disse sobre isso.

Nós descemos perto da 7-Eleven e pegamos uma edição da revista. Aquilo tava cheio de fotos de sexo oral que eu tinha dado uma noite e a o título era alguma coisa como “Companheira de Tommy Lee Fala (e Mostra) Tudo.” Eu poderia ter matado aquela puta por comerciado minha nova fama sem eu saber. Mas o que eu fiz no lugar disso?

Depois dos shows do Ozzy, o ônibus da turnê me deixou do lado de fora do condomínio. Eu fui até a porta, dando uns goles no Jack que eu tava bebendo desde a noite anterior. Honey estava me esperando na cozinha em um vestido preto decotado. Eu estava pronto para começar a xingá-la mas ela me interrompeu. “O que você acha?” ela perguntou.

“O que?”

“Eu achei um padre, eu comprei alianças, eu tenho tudo pronto.”

“Para que?”

“Eu quero casar.”

“Comigo? Mas você vendeu nossas fotos para uma revista pornô e não me disse nada.”

“Esse iria ser o seu presente de aniversário. E eu precisava de dinheiro para comprar as alianças pro nosso casamento. Então eu não contei pra você.”

Eu tentei pensar por algum momento, mas o álcool não me deixava. Da minha boca saíram as palavras mais estúpidas que eu já pronunciei: “Certo, foda-se. Vamos fazer isso.”

Meus pais estavam aterrorizados. Eles me ofereceram centenas de razões para não me casar – eu era muito novo, o ciúme dela só podia piorar, eles não queriam uma mulher que vendia nossas fotos intimas para uma revista pornô como nora. Eu não os escutei, mas felizmente as circunstâncias logo intervieram.

Os problemas de verdade começaram quando nós estávamos brigando porque uma garota ficava ligando em casa e desligando. Eu não sabia quem era, mas Honey insistia que eu estava enganando ela. Após uma hora de gritaria, ela se acalmou e concordou que talvez a garota fosse só alguma aberração aleatória. Então eu fui até a cozinha para fazer um sanduíche com manteiga de amendoim. De repente, ela correu para o cômodo, abriu a gaveta, pegou uma faca de manteiga, e enfiou nas minhas costas. A puta estava nervosa pra caralho que aquilo penetrou a pele e escorregou direto para a minha omoplata. Eu dirigi até a emergência com uma faca enfiada nas minhas costas.

Nós sempre estávamos fodendo como atores pornôs ou brigando como lutadores. Numa noite nós fomos com o RTB para uma das primeiras lutas na WrestleMania, e ela começou a brigar comigo porque ela achou o telefone de uma garota no bolso da minha calça e, além disso, minha mãe tinha falado no telefone com ela e a chamado acidentalmente de Jessica, que era o nome da Bullwinkle. Eu nunca tinha ido a uma luta. Mas ela não calava a porra da boca e me deixava aproveitar.

Depois da luta, Vince, Beth, RTB, Tom Zutaut, Honey, e eu entramos na limusine do RTB e fomos para a Tropicana assistir uma luta na lama. Honey ficou reclamando o tempo todo e, porque eu estava ignorando ela, começou a ficar mais e mais nervosa me instigando para uma resposta. “Sua mãe é uma puta,” ela rosnou. “Eu não sei por que você ainda fala com ela.”

“Por favor, não chame minha mãe disso,” eu suspirei.

“Bom, ela é uma puta.”

Eu tinha o pavio longo, cujo fica de alguma maneira cada vez menor quando eu bebo. Honey estava quase queimando o que sobrava desse pavio, e eu podia sentir meu corpo se preparando para explodir. O truque para se relacionar com mulheres como Honey não é as deixar ter provocarem, por que daí elas vencerão. Eu sempre tento acabar as deixando vencerem. “Escuta, sua vadia.” Eu a olhei furiosamente. “Eu não irei te falar de novo: não chame minha mãe de puta!”

“Ela é uma puta, puta, puta. Puta!” Honey gritou.

“É isso!” eu virei para o motorista. “Pare o carro. Essa vadia do caralho vai sair daqui!”

O motorista freou, e eu mandei Honey sair. Ela se recusou e começou a me socar. Então eu a agarrei e a arrastei para a calçada. Daí eu voltei para o carro, peguei sua bolsa, e joguei na parede do prédio atrás dela, espatifando toda a merda que estava dentro pelo chão.

Ela correu até mim, gritando. “Sua mãe é uma puta do caralho e você sabe disso. É por causa disso que você é um molequinho mimado que tanto ama a puta da sua mãe? Puta, puta, puta!”

Eu peguei meu braço, antes de eu pensar sobre o que eu estava fazendo, fechei minha mão e a esmaguei diretamente na boca, cara. Ela colocou a mão na boca, e caiu no chão. Eu fiquei parado lá chocado por ter perdido todo meu bloqueio – eu nunca tinha sonhado em bater em uma garota antes. Daí eu entrei na limusine e bati a porta. Enquanto estávamos dirigindo para longe de lá, eu olhei para trás e a vi de joelhos na calçada e cuspindo dentes em sua mão, cuja estava com mucosa com sangue.

“Ela poderia ter feito qualquer um de nós ter feito isso,” Tom Zutaut disse, reconfortante. “Mas alguém tem que ajudá-la a achar seus dentes.”

Ele parou a limusine e saiu para consolá-la e pegar seus dentes.

O casamento estava definitivamente cancelado.

3 de ago. de 2010

(continuação 5) Capítulo 4 - Nikki

Depois de Florida, Sharon se uniu à turnê para recuperar a ordem. De repente, Ozzy se tornou um ótimo marido. Ele comia seus vegetais, segurava a mão dela, e ia para a cama rapidamente depois de cada show, sem drogas no seu nariz ou urina na sua boca. Mas não era o suficiente Ozzy se comportar. Sharon queria que nós nos comportássemos.

Quando ela entrou no camarim encontrou uma garota de quatro, e nós quatro com nossas calças nos tornozelos e um sorrisinho forçado de criança nos nossos rostos, ela formulou a lei. Ela não nos deixava ficarmos drogados, convidar garotas para o backstage, ou nos divertimos de qualquer maneira que não envolvesse um jogo de tabuleiro. Para ter certeza que suas regras estavam sendo seguidas, ela tirava o álcool do nosso motorista e se nomeou como única responsável e distribuidora de passes para o backstage. Nós ficamos super frustrados que nós tínhamos a empresa de merchandising viajando com a gente para fazer nossas camisetas. Na frente tinha um rosto sorrindo cheio de buracos sangrentos de bala. Atrás tinha um círculo com uma coluna na vertical escrito “sexo, diversão, bebida, festas, carros veloses, bucetas, heroína, motos.” Uma grande linha vermelha estava desenhada pelo círculo, e abaixo disso tinha escrito “No Fun Tour: ‘83-‘84.” Nós demos as camisetas para todo mundo, incluindo Ozzy.

Finalmente, eu fui reduzido a me engatinhar para Sharon em minhas mãos e joelhos e implorar, “Eu realmente preciso transar. Eu estou ficando louco.”

“Não, você não pode Nikki,” ela afirmou. “Você vai pegar uma doença.”

“Eu não ligo para doenças,” eu chorei. “Eu vou tentar. Eu só preciso transar.”

“Ok,” ela cedeu. “Apenas dessa vez.”

“Obrigada, mãe.”

Ela me levou pela mão até a lateral do palco e disse, “Então, qual delas você quer,” como se eu fosse uma criancinha escolhendo doces.

“Eu quero aquela de vermelho, por favor.”

Naquela mesma noite, Carmine Appice deixou a turnê. Ele tinha tocado com Vanilla Fudge, Cactus, e Rod Steward, e era de certa forma uma estrela dentro de seus próprios direitos, então ele pensava que ele devia vender suas próprias camisetas. Com magnanimidade fora do comum, Sharon deu permissão a ele. Mas quando fãs compravam as camisetas para Carmine assinar, todos eles tinham um enorme buraco sobre o peito: Sharon e Ozzy tinham cortado o rosto de Carmine das suas camisetas. Eles entraram em uma grande briga, qual acabou com Carmine saindo e Tommy Aldridge voltando para a banda para substituir ele na bateria.

Quando Sharon deixou a turnê, Ozzy ficou em total decadência. Em Nashville, ele cagou no banheiro do Tommy e esfregou a merda pelas paredes. Em Memphis. Ele e Vince roubaram um carro com as chaves ainda penduradas na ignição, aterrorizaram pedestres na Beale Street, e depois, destruíram ele, despedaçando a janela e destruindo o estofamento. Dias depois, aconteceu de chegarmos a New Orleans na segunda noite do Mardi Gras. A cidade estava em chamas. Tommy, Jake E., e eu entramos em uma briga de facas num bar na Bourbon Street enquanto Vince e Ozzy iam para os clubes de strip. Quando todos nós voltamos para o hotel, bêbados e cobertos de sangue, Mamãe esperava por nós: Sharon tinha voado para a cidade, e ela nos proibiu de sair com o Ozzy de novo.

Algumas vezes, quando Sharon tinha ia embora, Ozzy chorava como uma criança perdida sem sua mãe. Na Itália, ele comprou uma boneca inflável, desenhou um bigode de Hitler nela, e a deixou no quarto de trás do nosso ônibus. No caminho para Milão, ele ficava falando com ela, como se ela fosse seu único amigo. Ele disse para a boneca que lá tinha algum tipo de conspiração, e todo mundo se virou para ele e estava conspirando matar ele. Quando ele foi para o palco naquela noite, ele estava usando botas Gestapo, calcinha, um sutiã, e uma peruca loira. Primeiramente ele parecia estar tendo bons momentos, mas depois de algumas músicas, ele desabafou e começou a chorar. “Eu não sou um animal,” ele soluçou no microfone. “Eu não sou um monstro.” Daí ele se desculpou para o público e saiu do palco.

Naquela noite no quarto de hotel que Mick e eu compartilhamos, ele perguntou se ele podia usar o telefone. Ele pegou e disse, “Inglaterra, por favor.”

Eu arranquei o receptor das suas mãos e desliguei. “Cara, você não pode ligar para a Inglaterra. Eu não tenho esse tanto de dinheiro.”

Então ele ligou a cobrar. Sharon aceitou. “Eu só estou ligando para dizer para você que eu quero um divórcio,” Ozzy disse, com bom senso e seriamente como ele podia.

“Cala a boca e vá dormir,” ela berrou de volta, e desligou na cara dele.

Por alguma razão, nosso gerente da turnê teve a brilhante idéia de colocar ofensivamente eu e Mick Mars juntos em um quarto: nós éramos como The Odd Couple. Eu ficava frustrado escrevendo uma música e tacava minha guitarra no corredor, onde eu a esmagava toda noite. Daí eu voltava para o quarto, arrastando minha guitarra quebrada do meu lado e perguntava para Mick, “Digo, posso pegar sua guitarra emprestada?” Nós regularmente brigávamos, normalmente porque eu estava me divertindo ou trazendo garotas para o quarto. Depois de eu ter arrancado uma parte do seu cabelo por ele não me emprestar sua guitarra, eu finalmente ganhei meu próprio quarto. Eu não ajudava Mick a ter um pouco de paz e silêncio, embora, porque um pouco depois, uma cliente do hotel ligou para a polícia depois de ela ter visto Tommy correndo pelo corredor, e os tiras acidentalmente e prendeu Mick no lugar dele.

Nós excursionamos com o Ozzy de vez em quando durante um ano, tirando um tempo para fazer shows solos ou shows com Saxon. Enquanto isso, nós ganhamos nosso primeiro disco de ouro e platina, nos ouvimos na rádio pela primeira vez, e começamos ser reconhecidos nas ruas fora de Los Angeles. Estava tudo acontecendo rapidamente e, de resultado, todos nossos relacionamentos começaram a estragar. No dia que a turnê acabou, o ônibus me deixou na frente de onde eu e Lita morávamos. Eu fiquei parado do lado de fora durante dez minutos com minha mala na mão, sem saber se eu entrava ou não. Quando eu entrei, eu a abracei e não disse uma palavra. Eu apenas fiquei parado lá. Eu não tinha certeza se eu devia fazer aquilo. Alguma coisa tinha se desligado de mim durante a turnê, e eu não tinha idéia de como fazer isso voltar.

Quando Lita foi fazer a turnê dela uns dias depois, eu fiquei aliviado. Eu não estava em condições de manter um relacionamento com ela, especialmente com nós dois viajando sempre, e eu não tinha idéia de como interagir com uma mulher que eu não respeitava mais. Quando ela voltou, eu já tinha tratado de me mudar do outro lado da rua e morar com Robin Crosby. No dia que eu me mudei com ele, a vida voltou a ser total destruição e depravação. Ele tinha apenas uma cama, e era gentil o suficiente para me deixar dormir nela enquanto ele se espatifava no chão. Ao invés de um refrigerador , ele tinha um Styrofoam cheio de gelo. Tinha um buraco no fundo, e a água constantemente vazava pelo chão da cozinha. O síndico do apartamento me odiava e me avisava todo dia que se ele me pegasse dando festas barulhentas ou bebendo na piscina ou me comportando mal ele expulsaria meu rabo tatuado de lá.

Embora eu não conseguisse arcar com um novo Styrofoam ou um refrigerador de verdade para a casa, eu não tinha problema em comprar um Corvette novinho. O dia que eu sai dirigindo ele do estacionamento, eu fui para a Reseda Country Club e peguei uma garota. Nós saímos do estacionamento, e eu a coloquei no capo, abri suas pernas no ar, e comecei a foder ela. Lentamente, uma multidão se juntava, e a única coisa que eu me lembro deles falando era: “Yeah, cara! Carro legal!”

Para esquecer a Lita, eu me enfiava no meio das pernas de outras mulheres.

Uma pequena garota da faculdade que era atrativa mesmo estando fora da moda e usando óculos mudou para o outro lado do prédio umas semanas depois de eu começar a morar com o Robin. Então uma noite, em vez de sair com o Robin, eu passei pela casa dela com uma garrafa de champanhe, um pacotinho de cocaína, e um pacote de tranqüilizantes. Nós nos divertimos a noite inteira e, como planejado, acabamos transando. Quando eu estava voltando para o meu apartamento às sete horas da manhã, o síndico estava lá fora regando as flores. Tentando absorver, eu acenei e sorri para ele, o mais inocente que eu podia. Ele se virou, olhou para mim, e deixou a mangueira cair. Ele congelou. Eu não conseguia entender qual era o problema dele. Eu entrei no apartamento e acidentalmente esbarrei no Robbin. “Cara, o que aconteceu com você?” ele exclamou logo que seus olhos se acostumaram com a luz.

“Eu estava fodendo aquela garota nerd. Qual é o problema?” eu perguntei.

“Não, cara, vá se olhar no espelho,” ele disse.

Eu fui até o espelho, cujo tinha um enorme quebrado no vidro que provavelmente alguém tinha esmagado no saguão do prédio em uma noite bêbado, e olhei para mim. Meu rosto inteiro estava coberto de sangue, do meu queixo até o meu nariz. Evidentemente, ela estava menstruada quando eu fui chupar ela, e eu estava drogado demais para ter percebido. Pelo jeito, deve ter sido a primeira vez dela.

Depois de umas semanas fodendo tudo o que eu podia, eu ouvi que um punkzinho tinha apresentado para Lita seu novo namorado, um garoto chamado Don de uma banda chamada Heaven. Claro, eu não a queria mais, mas isso não significada que alguém tinha a permissão de tê-la. Furioso com um ciúmes sem lógica e hipócrita. Eu liguei pro Tommy. A gente se encontrou na minha casa, cada um com uma tábua dois por quatro, e fomos à casa da Lita para avaliar a situação. Nós abrimos a porta e ficamos parados no meio do cômodo com as nossas armas. A única pessoa na casa era o punkzinho, que se agachou no canto enquanto nós o apressamos, batendo nele cruelmente na cabeça e no peito, até finalmente quebrar as tábuas na sua cabeça. Nós o deixamos no canto, com sangue esguichado pela parede.

Algumas horas depois, o telefone tocou em casa. “Vai se foder!” Era Lita. “Você é um imbecil.”

Eu expliquei meu lado da história, e ela me cortou com algumas palavras bem ditas que ainda soam no meu ouvido desde aquele dia: “O punk que você bateu não me apresentou para o Don!”

Eu me senti mal por ter envolvido Tommy, porque na noite anterior eu tinha transado com a sua namorada, Honey. Ela me ligou para falar que ela tinha drogas. Eu fui lá para partilhar, e uma coisa levou a outra, que me levou a ficar pelado no banheiro olhando para algum tipo de pomada para por nos arranhados em minhas costas. Essa era outra coisa que deveria manter fora da minha cabeça durante a festa de noivado deles. Ele era meu melhor amigo, e provavelmente deve ter entendido. Mas eu nunca fui falar com ele sobre isso.