18 de jul. de 2010

(continuação) Capítulo 4 - Nikki

Nós estávamos experimentando magia negra, lendo todos os tipos de livros enfeitiçados ou livros ocultos espessos que achássemos, e gravávamos invocações como “Deus Abençoe o Filho da Besta,” qual é atualmente inspirado na introdução do álbum Diamond Dogs do David Bowie. E, talvez nós estivéssemos imaginando isso, mas nós estávamos começando a atrair alguma coisa ruim.

Eu tinha idéias para o álbum e a turnê que tínhamos que fazer com a psicológica massa de coisas ruins por trás do nazismo e com os livros de satanismo do Anton LaVey, o que era mais uma filosofia pessoal com um título chocante do que uma atual religião. Eu tinha grandes idéias de criar uma turnê que parecesse como uma passagem entre o nazismo e a igreja negra, com símbolos do Mötley Crüe ao invés de suásticas por todos os lugares. Eu sinceramente acreditava que Ronald Wilson Reagan, desde que cada nome dele tinha seis letras – 666 – era o Anticristo. Falava na bíblia que o Anticristo teria a voz de um leão para ser ouvida através das nações. Eu disse para todo mundo que ele podia ser baleado no coração e se recuperar rapidamente do que qualquer homem poderia, e ele podia. Ele era o demônio que eu queria que todas as pessoas gritassem. Eu estava sendo levado para longe. Daí, enquanto estava dirigindo para casa da sessão satânica de “I Will Survive”, o carro do Tommy explodiu. Vince continuava apagando em seu carro. E objetos levitavam e voavam na minha casa e da Lita. Nós estávamos começando a ficar assustados. E daí eu tive meu acidente.

Eu tinha comprado meu primeiro carro de verdade, um Porshe, depois de ter feito um acordo público com a Warner/Chappell. Era o meu orgulho e meu contentamento. Tommy e eu dirigíamos pela Sunset Boulevard com o pedal no chão às 2 da manhã, bebendo vários Jack. Nós não sabíamos o quanto estúpido beber dirigindo era até um ano depois. Até os tiras, quando eles nos pegavam acima da velocidade, eles nos faziam jogar fora nossas bebidas e nos deixavam ir. E nós não pensávamos que tínhamos sorte no fim: nós estávamos irritados porque era tarde demais para comprar mais álcool.

Depois de uns meses dando mais atenção para esse carro do que eu jamais dei para uma garota, eu fui a uma festa do Roy Thomas Baker. Todos nós cheiramos algumas fileiras no seu piano de vidro, daí tiramos todas nossas roupas e pulamos na Jacuzzi. Lá tinha uns quinze de nós socados lá dentro, incluindo Tommy. Ele tinha finalmente dado o fora na Bullwinkle e estava namorando uma garota que queria ser modelo da Florida chamada Honey. De repente, Tommy teve uma enorme ereção, virado para Honey e ordenou “Ok, vadia, chupa meu pau.” Ela se curvou e começou chupá-lo na frente de todo mundo. Quando ela terminou, ele a fez fazer isso de novo. Ela voltou para o trabalho, mas dessa vez estava demorando muito para Tommy e ele começou a ficar irritado. Ele começou a repreendê-la por não estar fazendo um bom trabalho, falando pra ela que ela não sabia a merda que estava fazendo. Finalmente, ela fez certo, engolindo para não contaminar a piscina com o filho-não-nascido de Tommy. Cinco minutos depois, Tommy a colocou para trabalhar de novo.

Eu acho que muitos amigos do RTB conquistaram um recém-descoberto respeito por Tommy naquela noite: ele não apenas construiu um arranha-céu, não apenas teve um orgasmo sem fim, mas quando ele teve, ele compartilhou. Ele olhou para o círculo de pessoas na Jacuzzi em choque e espantados, e ordenou que Honey trabalhasse do jeito dela pela banheira, chupando todo mundo. Foi difícil ter essa imagem fora da minha cabeça quando eu sentei em volta da mesa de jantar com o casal feliz e os pais de Tommy em West Covina uns meses depois. Ela não era o tipo de garota que você gostaria de levar pra casa com a sua mãe, a menos que você esteja no Bunny Ranch.

Eu deixei passar a oferta de Tommy, não por falta de respeito a ele, mas porque eu estava puto demais pra voltar. De fato, eu decidi que eu queria deixar a festa completamente. Eu estava drogado, confuso, e queria ver Lita. O problema era que RTB tinha as portas trancadas e bloqueadas, como normal, para ter certeza que ninguém iria embora fodido demais para poder dirigir. Para piorar a situação, eu não tinha idéia de onde tinha colocado minhas roupas.

17 de jul. de 2010

Capítulo 4 - Nikki

Capítulo 4

Nikki

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Das estranhas, improváveis, e geralmente repugnantes aventuras que colocaram nossos heróis em uma jornada com o menestrel Ozzy Osbourne e sua prazerosa cônjuge, Sharon.

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Era o começo do fim até o ponto que a diversão começou a preocupar: cocaína sem limites. Tommy conheceu esses estranhos personagens em Simi Valley que poderiam parar no Cherokee Studios, onde nós estávamos gravando o Shout at the Devil, e trazer um pouco de coca. Nós poderíamos ficar três dias direto fazendo música e nem pensávamos que estávamos trabalhando pesado. Vince colou figuras de revistas pornôs pela parede toda, e garotas jorravam dentro e fora do estúdio, sendo fodidas com microfones na sala de comando, garrafas na cozinha, e cabos de vassoura no closet porque nós estávamos sem idéias do que fazer com elas.

Ray Manzarek, o tecladista do The Doors, estava trabalhando na próxima porta, e ele parava quase todo dia, enxugava nossa bebida, e nos deixava altos e secos. Nós nunca fomos grandes fãs de The Doors, então isso nos deixou de saco cheio. Fora de propósito, nós não dissemos nada, mas nós sempre nos perguntávamos: se Ray era um puta de um demônio, quão ruim seria Jim Morrison?

Mais tarde, cocaína me fez ficar isolado e paranóico. Mas daí, tinha uma festa com drogas, alguma coisa mais divertida para colocar meu nariz para o alto de novo. Uma noite, Tommy, seu técnico de bateria Spidey, e eu estávamos ficando bêbados em um boteco na esquina do estúdio para tirar a ressaca que a cocaína estava nos dando. Dois tiras sentados próximos de nós começaram a ficar agressivos

fig.3


com a gente, fazendo comentários não originais como, “Belo cabelo, garotas.” Então depois do álcool fazer efeito e nós tomarmos alguns remédios para dor para sairmos de lá, fomos para fora até o seu carro. A janela estava abaixada, então nós nos enfileiramos, mijamos no banco e saímos correndo. Voltando para o estúdio, Tommy estava tão alto que jogou um tijolo na janela da sala de comando. Nós não sabíamos realmente o que estávamos fazendo ou como gravar um álbum profissional.

Na outra manhã, nós ainda estávamos no estúdio gravando “I Will Survive.” Tinha um gongo preso por uma corda sobre nossas cabeças e nós enrolávamos a corda o máximo que conseguíamos e soltávamos, assim a corda girava em círculos, produzindo um horripilante som. Enquanto isso girava, nós deitávamos de costas e tentávamos cantar “Jesus is Satan” atrasados, o que parecia “scrambled eggs and wine” (*ovos mexidos e vinho) ou alguma coisa assim. Nosso engenheiro nos abandonou nesse dia. Ele disse que todos nós éramos possuídos pelo Satã. E talvez nós fôssemos.

11 de jul. de 2010

Capítulo 3 - Tom Zutaut

Capítulo 3

Tom Zutaut

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Uma questão delicada é abordada durante o curso de uma breve entrevista com Tom Zutaut, um inocente e bem intencionado benfeitor.

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Fale-me sobre o US Festival.

Eu só me lembro de dirigir para o meio de lugar nenhum e a banda ser paga por um garoto da Apple para fazer esse show na frente de todas essas pessoas.


Você se lembra de algo mais notável desse dia?

Bom, foi meio estranho vê-los toando no meio do dia.


Você foi para o festival com alguém?

Eu fui com Doc [McGhee] e Doug [Thaler].


Alguém mais?

Sim, minha namorada foi comigo.


Alguma coisa estranha aconteceu com a sua namorada nesse dia?

Não, não que eu me lembre.

Porque o Vince me disse que dormiu com ela.

Ele dormiu com a minha namorada?!?


Foi o que ele me disse.

Não, isso nunca aconteceu.


Ele disse que ela estava vestindo um biquíni de pele de leopardo.

Ok, então era uma garota diferente. A namorada real não estava vestindo um biquíni de leopardo. Isso era provavelmente algum rolo sem valor que eu estava tendo. Nikki provavelmente esteve preocupado com isso todos esses anos, mas ela não significava nada pra mim.


Era o Vince, não o Nikki.

Era Vince? Bom, Vince tem uma fissura sem fim por garotas. Ele pode pegar dez garotas antes do set e dez garotas depois. Você olha pra ele e fala, “Cara, onde ele consegue isso?” ele nunca para. Eu fico impressionado porque ele tem uma namorada. Quando ela está perto deles é como se fossem casados, mas quando ela vira sua cabeça ele está fodendo outra pessoa. Eu não estou surpreso. Eu penso que se eu tentasse voltar e lembrar, tinha uma garota que eu costumava pegar em algumas datas de vez em quando por um bom tempo e pode ser ela. Seu nome era Amanda alguma coisa de San Diego. Foi antes de eu conhecer a namorada que eu estava pensando inicialmente. Enquanto eu penso mais sobre isso, eu me lembro dela vestindo alguma coisa pequena de pele de leopardo.


Você está chateado?

Se alguém fosse importante pra mim, eu não a levaria para um show de rock como aquele. Eu definitivamente não deixaria ninguém em um trailer com algum membro do Mötley Crüe.

Teve outra vez que eu tinha outra namorada que Nikki atualmente fodeu. Ela era uma garota festeira, e ela estava saindo do backstage comigo. E Nikki na minha frente a agarrou e transou com ela. Ela estava no seu período. Era nojento. Ela nem tentou pará-lo. Eu a conhecia por apenas umas semanas e era a segunda ou terceira vez que estávamos saindo. Ela não se tornou uma namorada séria depois disso. Mas eu não culpei Nikki. Parte disso era que garotas me usavam para ir pro backstage. Então percebi que esse era um ótimo jeito de achar para o que alguém era feito. Eu era como se tivesse vinte e um anos. Eu não estava pronto para casar ou ter um relacionamento sério. Digo, no mínimo Nikki não estava escondendo nada. Eu penso que ele disse, “Essa garota com quem você está é uma gracinha. Você se

importaria se eu a pegasse?” e eu disse, “Não, eu não me importo. Não é nada sério.”

Mas isso do Vince eu realmente não sabia.


Desculpe-me de ter dito isso pra você.

Sim, eu ainda penso que com o Vince foi a garota de San Diego. E, sabe, relacionamentos terminam imediatamente depois disso. Ela começou agir super estranho depois do festival, agora que eu penso sobre isso, como se algo tivesse acontecido. Eu lembro depois desse fim de semana me despedir dela e nunca mais vê-la de novo porque ela estava agindo estranho. Provavelmente por causa do Vince. Primeiramente, ela provavelmente pensou, “Oh, eu vou ser a nova namorada do Vince e esquecer esse cara A&R.” Mas ela percebeu que ela era só mais uma das cincos garotas que ele tinha comido em quinze minutos. Então provavelmente ela se sentiu traída: ela não tinha nada com ele, mas se eu descobrisse sobre isso ela estava fodida. Eu me lembro dela ficando estranha depois disso, tão estranha que eu não me lembro de tê-la visto de novo.

Assinatura do contrato no escritório da Elektra. Em sentido horário da esquerda: Jose Smith, Mick, Allan Coffman, desconhecido, Vince, Nikki, Tom Zutaut, Tommy

6 de jul. de 2010

Capítulo 2 - Vince


Capítulo 2

Vince


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Um dia de público triunfo acaba em uma privada recriminação enquanto nosso herói submete para seus instintos ordinários, quais não devem ser revelados em mais detalhes nesta breve sinopse pelo medo de viciar leitores jovens.

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Este foi o dia que a new wave morreu e o rock and roll tomou o comando: 29 de maio, 1983. O segundo dia de três do US Festival.

Circulando sobre centenas de milhares de pessoas em um helicóptero – o primeiro helicóptero que eu estive – parecia que o povo da Sunset Strip na sexta-feira e no sábado a noite tinha sido transportado de repente para um campo no meio do nada em uma tarde quente de primavera. Ozzy Osbourne, Judas Priest, Scorpions, e Van Halen estavam se apresentando na frente de trezentas mil pessoas. E nós também.

Toda cidade na América deve ter desenvolvido seu equivalente na Sunset Strip. Não era mais apenas uma coisa underground. Isso era um movimento em massa, e finalmente nós encontramos a postos uma nova nação no mapa. Olhando para baixo do helicóptero, com uma garrafa de Jack na minha mão esquerda, uma bolsa de pílulas na minha mão direita, e uma cabeça loira subindo e descendo no meu colo, eu me senti como o rei do mundo. Isso durou por um segundo. Daí eu fiquei assustado pra caralho.

Nós tínhamos apenas um álbum, e tínhamos apenas encostado no topo das paradas no número 157. Muitas dessas pessoas não nos conheciam. Eles estavam excitados o dia todo, e provavelmente nos odiariam porque eles estavam impacientes pelo Ozzy e Van Halen.

Eu dei outro gole no Jack enquanto nós pousamos e conhecemos nossos novos gerentes, Doc McGhee, que era basicamente um viciado em bons negócios, e Doug Thaler, seu homem positivo. O cara que tinha nos assinado com a Elektra, Tom Zutaut, estava lá com a sua namorada, uma garota gostosa e surpreendente considerando a sorte de Tom com mulheres. Eu fui para o camarim para fazer minha maquiagem e colocar minhas roupas, e vi o que eu podia fazer com a fila de garotas e repórteres esperando do lado de fora. Depois do que parecia ser apenas alguns minutos, houve um bater frenético na porta.

“Você tinha que estar no palco dez minutos atrás,” Doc berrou. “Sai daí.”

Quando nós tocamos “Shout at the Devil”, eu soube que nós tínhamos conseguido. Eu não tinha nada para me preocupar. Essas pessoas nunca tinham ouvido a música antes: nós nem tínhamos começado gravar o álbum direito. Mas no fim, eles estavam cantando junto, erguendo seus punhos para o ar. Eu observei e cada palavra que eu cantava, cada pancada na guitarra que o Mick dava, a multidão agitava em resposta. Eu entendi daí porque rock stars tem um ego tão grande: do palco, o mundo é um anônimo, uma merda, uma multidão obediente, muito longe do que os olhos podem ver.

Mick deixou o palco primeiro e voltou para o trailer que duplicava nosso camarim. Sua namorada estava esperando ele lá dentro, quem nós chamávamos de A Coisa, uma morena medíocre cujas mangas enrolavam no seu cotovelo. Assim que ele entrou na porta, após tocar no maior show da sua vida, ela o puxou e socou diretamente no rosto sem nenhuma explicação. (Voltando em Manhattan Beach, ela às vezes ficava bêbada, batia nele, e o jogava pra fora da casa, depois Nikki ou eu recebíamos um telefonema desesperado do Mick perguntando se podíamos pegá-lo na entrada da sua casa.)

Mais tarde para mim tinha álcool, drogas, entrevistas, e garotas. Eu me lembro de estar saindo do palco e ter visto a namorada do Tom Zutaut, que tinha ficado apenas com um biquíni de leopardo porque estava muito quente lá fora. Eu a agarrei, passei meu rosto suado contra ela, e soquei minha língua na sua garganta. Ela espremeu meu corpo contra o dela e mordeu minha língua.

Eu a levei de volta para o trailer – passando pelo Mick, que estava sentado nos degraus segurando sua cabeça entre as mãos – e enterrei minha cara no meio dos peitos dela. Daí, houve uma batida na porta e uma voz estridente falando, “Hey, é o Tom. Posso entrar?”

“O que você quer?” eu perguntei, preocupado se ele tinha me visto.

“Eu apenas quero te dizer que vocês foram e-e-exelentes. Esse foi o melhor show que eu já vi de vocês.”

“Obrigada, cara,” eu disse. “Escuta, eu sairei em um minuto. Eu só preciso de um tempinho para relaxar.”

Daí eu arranquei o biquíni dela e meti nela enquanto ele esperava do lado de fora.

Nikki ficou furioso quando eu contei pra ele o que eu tinha feito. “Seu idiota do caralho!” el

e gritou. “Você não consegue segurar seu pinto? Esse cara nos contratou. Se ele descobrir, ele usará isso contra nós e vai foder com o nosso álbum novo.”

“Desculpa,” eu respondi. “Mas isso só se ele descobrir.”

fig. 1

4 de jul. de 2010

(continuação 5) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Eu fui a casa deles uma noite para discutir com o Nikki sobre mudar o titulo. Quando eu entrei, ele e Lita estavam grudados no sofá. “Eu estou um pouco assustada,” Lita disse. “Coisas estranhas estão acontecendo no apartamento.”

“O que você quer dizer?” eu perguntei, olhando em volta para o as recentes pinturas de pentagramas e umas pinturas góticas que o Nikki tinha feito nas paredes e no chão.

“Coisas estranhas apenas acontecem,” ela disse. “As portas dos armários ficam abrindo e fechando, tem uns barulhos estranhos, e coisas ficam voando pelo apartamento sem razão.”

“Escuta, Nikki,” eu disse. “Você tem que parar de zoar com esse livro de magia negra de merda. São coisas poderosas, e se você não souber o que está fazendo, não brinque com isso.”

Mas Nikki não ligava pra isso. “Não é nada,” ele disse. “Apenas parece ser legal. Esses símbolos insignificantes e merdas. Eu estou fazendo isso apenas para fazer as pessoas se irritarem. Não é como se eu estiver venerando Satan ou algo assim.”

Eu sabia que eu não podia mudar sua cabeça, então eu fui embora. Quando eu voltei duas noites depois, tinha garfos e facas enfiados na parede e no teto, e Nikki e Lita pareciam mais pálidos e doentios do que o normal.

“Que merda que vocês estão fazendo?” eu perguntei.

“Nós não estamos fazendo nada, cara,” Lita disse. “Eu tentei dizer para você: coisas estão voando por aqui sozinhas.”

Após ela falar isso, eu juro por Deus, eu vi aquilo com os meus próprios olhos, uma faca e um garfo saíram da mesa e cravaram no teto exatamente acima de onde eu estava sentado. Eu olhei para o Nikki e me assustei. “Não existe mais ‘Shout with the Devil. ’ Se você quiser continuar mexendo com o diabo, você será morto.”

Você pode acreditar no que você quer, mas eu realmente acreditava que Nikki estava sem saber recorrendo a algo satânico, alguma coisa mais perigosa do que ele pudesse controlar que estava à beira de machucá-lo seriamente. Nikki deve ter percebido a mesma coisa, porque ele decidiu mudar o nome do álbum para Shout at the Devil. Desde aquele dia, aquele incidente permanece como um das coisas mais bizarras que eu já vi na minha vida.

Felizmente, logo eu conheci um agente reservado chamado Doug Thalet, e ele conhecia um cara, Doc McGhee, que tinha muito dinheiro e queria começar uma empresa de gerenciamento. Doc era um carinha charmoso que sabia como dizer as coisas certas. “Nós iremos fazer Mötley Crüe ser a maior banda de rock n’ roll do mundo,” ele disse. “E qualquer quantia que a Elektra não der para fazer isso acontecer, eu darei.”

Tudo parecia perfeito: Mötley Cüe tinha dinheiro, eles tinham um cara chamado Barry Levine ajudando-os com a sua imagem, e eles se tornaram a prioridade da empresa. Graças a manipulação máxima do Doc, grande imaginação, e presentes por debaixo da mesa, Nikki estava finalmente à beira de mudar sua rebelião do Whisky para os estádios. Mas, claro, nada acontecia para esses garotos sem esforço.

Eu acordei umas semanas depois para saber que Joe Smith tinha sido despejado e um cara chamado Bob Krasnow estava administrando a empresa. Ele despediu Tom Werman e o substituiu com Roy Thomas Baker, o que era legal porque agora tinha mais razões para ir às festas RTB e Werman continuava querendo produzir a gravação. Mas enquanto estávamos ficando prontos para gravar, Krasnow voou para Los Angeles e chamou Werman e eu para um encontro.

“Rock n’ Roll não está rolando,” ele nos disse. “Eu decidi que eu não quero nenhuma banda de rock na empresa. Eu não irei aceitar Ozzy Osbourne se vocês não me derem ele de graça em um prato de prata.”

“Por que você quer que caia um grupo que está vendendo um monte de discos? Isso não faz sentido nenhum, Bob!”

“Está é a Elektra Records, Tom,” ele disse. “Nós temos uma tradição de bem, talentos como Linda Ronstadt, the Doos, e Jackson Browne. Eu não estou na área do circo. E eu não estou dando a eles um centavo.”

“Seus gerentes estão dispostos de tomar contar de parte da promoção e dos custos das turnês.”

“Escuta,” ele disse. “O grupo é terrível. Eu vi o vídeo deles e isso é embaraçoso. Eu tenho que tirar isso da MTV.”

“O que?! Nós conseguimos uma turnê com o Kiss. Você não pode fazer isso.”

“Eu fiquei sabendo disso, e cancelei as datas.”

Eu liguei para Doug Thaler e Doc McGhee para se encontrarem com Krasnow, e ele disse a eles a mesma coisa. Eles responderam perguntando a ele o que ele precisava para liberarem Mötley Crüe do seu contrato com a Elektra.

“Eu irei dizer o que,” Krasnow cedeu. “Você fará o melhor disco que você pode fazer. Não se preocupe com o dinheiro, mas mantenha o orçamento razoável. Eu não irei te prometer que eu irei lançá-los, mas eu irei prometer a você que eu irei deixar isso mais fácil para você chegar a algum lugar.”

Se eles deixassem que isso caísse e perdesse o ímpeto eles teriam que fazer alguma coisa, esse provavelmente seria o fim do Mötley Cüe. Mas felizmente algo aconteceu para mudar a cabeça de Bob. E essa coisa foi o US Festival. Menos de um ano mais tarde, Krasnow estava com uma bandana do Mötley Crüe no Madison Square Garden, apresentando a banda com prêmios de ouro e platina para a venda dos álbuns.

3 de jul. de 2010

(continuação 4) Capítulo 1 - Tom Zutaut

Quando a Elektra lançou o Too Fast for Love, foi um desastre. A prioridade para a empresa era uma banda australiana chamada Cold Chisel, e todo mundo no departamento de promoção estava atentado em fazê-los a próxima grande coisa. Aconteceu de eu ouvir uma conferência por telefone, quando eu ouvi “Escuta, eu tenho uma estação em Denver e outra em Colorado Springs que acabaram de acrescentar Mötley Crüe. Eles não estão interessados na Cold Chisel, mas nós continuaremos trabalhando neles.”

“Eu não dou uma merda pelo Mötley Crüe,” o departamento da rádio berrou de volta. “Eles não são uma prioridade. Eu não quero adicioná-los. Fale pra essas estações que se elas querem acrescentar o Mötley Crüe, eles que vão se foderem.”

Quando eu ouvi isso, eu tive um ataque de raiva. Era ruim o suficiente que a empresa não estava ajudando o Mötley Crüe, mas eles estavam tentando prejudicá-los. Então eu explodi com Joe Smith. Por causa desse incidente e vários outros semelhantes, o chefe foi substituído. Mais ou menos na mesma hora, Tom Werman veio para a empresa como o novo chefe da A&R. Werman tinha produzido o primeiro álbum do Ted Nugent e algumas das melhores músicas do Chip Trick, e ele estava louco pelo Mötley Crüe que ele insistiu em produzir nossa próxima gravação. Ele e Nikki estavam em grande sintonia: Nikki queria uma imagem de bad-boy, mas ao mesmo tempo tinha senso popular e queria que sua música atingisse o objetivo final, que era o que Werman tentava fazer com as bandas que ele produzia. Apesar dos melhores esforços do departamento de promoção para sabotar por alguma razão misteriosa, Too Fast for Love acabou vendendo mais de cem mil cópias, através da palavra da boca de todos. Eu não sabia o que fazer porque a banda tinha um acordo com uma gravadora importante, tinha vendido uma quantidade respeitável de álbuns, podia vender tudo nos clubes de L.A., estavam sendo falados na indústria, e estavam começando a escrever seu segundo álbum, mas eles não tinham um gerente e estavam todos quebrados e famintos. Eu tentei cuidar deles o máximo que eu pude.

Quando eu tinha dezesseis anos, Lita Ford era a garota que eu sonhava: uma gata roqueira. Tinha pôsteres dos Runaways pelo quarto todo na casa dos meus pais. Agora, cinco anos depois, eu assinei com o Mötley Crüe, e Nikki Sixx estava morando com uma dos Runaways. E não apenas eu estava saindo com eles, como também dando dinheiro e comida para eles. Eu passava pela casa do Nikki e da Lita quando eu podia levar para eles sorvete Häagen-Dazs ou um sanduíche da Subway. As pessoas falavam que eles brigavam como cães e gatos, mas eles eram sempre legais para estar junto. O tempo se passava, de qualquer forma, a casa continuava a ficar horripilante. Eu fui fazer uma visita e vi o The Necronomicon, um livro preto de magia negra, na mesa. Nikki estava pegando pesado em coisas satânicas e queria chamar o disco Shout with the Devil. Isso era constrangedor para a empresa, e era constrangedor para mim. Eu sabia que o departamento de promoção poderia usar o titulo como uma desculpa para ignorar completamente o álbum.